Especial Dia Internacional da Mulher: 10 mulheres pintoras

A vida na arte para a mulher sempre foi difícil, principalmente numa sociedade muitas vezes machista, por isso o registro histórico de pintores homens famosos é muito maior do que o das mulheres. Porém, algumas conseguiram se destacar na arte, apesar das enormes dificuldades. E nesse Dia Internacional da Mulher vamos conhecer algumas destas brilhantes artistas que deixaram seu nome registrado na história da arte.

1. Plautilla Nelli, a primeira pintora renascentista

Foi uma freira que nasceu no ano de 1523 e é conhecida como a primeira pintora renascentista que se tem registro. Plautilla Nelli fazia parte do convento dominicano de Santa Catarina de Siena que fica na Florença, na Itália. A freira foi influenciada por Savonarola, um frade dominicano fanático religioso que promoveu a destruição de artes que ele não considerava como cristãs. Plautilla foi incentivada pelo discurso do frade a pintar artes cristãs e como forma de combater a preguiça que Savonarola dizia que as mulheres possuíam como um dos pecados capitais.

Santa Catarina, Plautilla Nelli.

Plautilla é uma das poucas mulheres artistas citadas por Giorgio Vasari, um historiador de arte italiano que é uma das principais fontes históricas sobre os artistas italianos do Renascimento como Leonardo Da Vinci.

A artista foi redescoberta quando começaram a fazer restaurações de obras de artes italianas, um documentário foi feito sobre a freira pintora: A Restauração da Lamentação com Santos: Plautilla Nelli. Uma das únicas obras assinadas pela artista foi A Última Ceia, pintada no refeitório da Igreja Santa Maria Novella.

A Última Ceia, Plautilla Nelli.

2. Sofonisba Anguissola, uma artista famosa

Sofonisba também é uma pintora do período renascentista, nascida em 1532. Apesar de ser mulher, a artista recebeu uma educação completa, inclusive aprendeu sobre artes plásticas. Sofonisba Anguissola, foi uma das primeiras mulheres a serem aceitas como estudante de arte em estúdios artísticos, Sofonisba aprendeu com o artista Bernardino Campi, abrindo precedente para a educação da mulher em artes.

Sofonisba Anguissola, Autorretrato.

Quando jovem, a artista viajou a Roma e foi apresentada à Michelangelo. Graças à seus talentos artísticos se tornou dama de honra da rainha espanhola Elisabeth de Valois, depois se tornou a pintora oficial do rei da espanha Philippe II.

Rei Philipe II, Sofonisba Anguissola.

Sofonisba Anguissola foi uma das primeiras pintoras mulheres que conseguiram fazer sucesso na Europa. A artista faleceu aos noventa anos de idade.

3. Elisabetta Sirani, a artista pioneira

Elisabetta Sirani é considerada uma das artistas pioneiras da região da Bolonha. A pintora nasceu numa família que tinha tradição artística, seu pai ficou gravemente doente e debilitado, então Elisabetta teve que assumir o estúdio e as encomendas feitas ao pai.

Elisabetta Sirani, autorretrato.

A artista, além de ter assumido o estúdio do seu pai, ainda se dedicou a ensinar arte para outras mulheres que também queriam aprender técnicas de pinturas. Uma de suas primeiras encomendas foi o Batismo de Cristo.

Batismo de Cristo, Elisabetta Sirani.

Elisabetta produziu em vida, em torno de cento e noventa quadros, mas infelizmente, a artista morre com apenas 27 anos de idade. Sua morte foi considerada muito suspeita na época.

4. Rachel Ruysch, a melhor pintora de flores

Rachel Ruysch é uma artista da chamada Idade de Ouro holandesa. Nascida no ano de 1664 na cidade de Haia na Holanda, Rachel foi uma pintora que se especializou na pintura de flores, conseguindo fama internacional graças a suas técnicas de pintar flores.

Rachel Ruysch, por Godfried Schalken.

A artista faz parte de um período artístico muito importante na história da arte da Holanda, figurando entre artistas como Rembrandt e Johannes Vermeer. Rachel Ruysch também é uma das mulheres artistas mais bem documentadas desta época.

Flores, por Rachel Ruysch.

O pai de Rachel era um professor de anatomia e botânica, a artista aproveitava para praticar desenho com as coleções de amostras como insetos, plantas e flores que seu pai possuía. Rachel Ruysch devido as composições de suas pinturas é considerada um artista do estilo rococó.

5. Angelica Kauffman, uma pintora austríaca de grande sucesso

Maria Anna Angelika Kauffmann foi uma importante artista austríaca do movimento artístico do neoclassicismo. Angelica Kauffman nasceu no ano de 1741 na Suiça. A pintora é uma das duas únicas mulheres que fazem parte da fundação da Academia Real de Artes em Londres.

Angelica Kauffman, Autorretrato.

Angelica Kauffman foi treinada em artes pelo seu pai, Joseph Johann Kauffmann, que também era um artista. Após a morte de sua mãe, Angelica e seu pai se mudam para a Itália, onde a jovem artista fez parte da Accademia di Belle Arti di Firenze (academia de Belas Artes de Florença) e aprendeu técnicas artísticas do neoclassicismo.

Na Itália a artista passou por Roma, Veneza e Bolonha, lugares em que se aperfeiçoou mais suas técnicas de pintura, estudando os chamados de antigos mestres, como Sandro Botticelli e Ticiano. Uma de suas obras foi exposta no Free Society of Artists na Inglaterra, e fez sucesso. Então, Angelica Kauffman decide se mudar para a Inglaterra, lugar em que se tornou uma artista importante. No território inglês, Angelica pintou diversos retratos, autorretratos e figuras históricas e também figuras alegóricas.

Ariadne Abandoneda por Teseu, Angelica Kauffman.

A artista é considerada uma das mais importantes da história da arte austríaca tendo inclusive seu retrato impresso em nota de cem xelins austríacos por volta do ano de 1969.

Impressáo do retrato de Angelica Kauffmann numa nota de dinheiro austríaco.

6. Suzanne Valadon, uma grande artista do modernismo

Marie-Clémentine Valadon, conhecida como Suzanne Valadon, foi uma artista francesa que nasceu no ano de 1865. Sua mãe era uma lavadeira e a filha levava as roupas lavadas para os clientes. Sua beleza chamou a atenção de diversos artistas, foi assim que Suzanne Valadon é introduzida ao mundo da arte, como uma modelo de pinturas. Suzanne posou para o artista Auguste Renoir e se tornou amante do pintor.

Suzanne Valadon numa pintura de Auguste Renoir.

A artista é descoberta por Edgar Degas, um famoso pintor impressionista que se dispõe a ensinar arte para Suzanne. A pintora passa a se dedicar apenas a arte de pintar e se torna a primeira mulher a ser membro da Sociedade Nacional de Belas Artes em Paris.

Suzanne Valadon, autorretrato.

Suzanne Valadon pinta diversos temas como natureza morta, retratos, autorretratos e também nu artísitico. Suas obras de nu artístico chamam a atenção nesta época pois era uma mulher pintando o corpo de outra mulher, então não havia o idealismo típico dos artistas homens. Uma de suas pinturas famosa é Alegria da Vida, que tem nu artístico.

Alegria da Vida, Suzanne Valadon.

A artista expõe suas obras no Salon d’automne (Salão de outono). Suzanne Valadon é uma das artistas mais bem documentadas do século XX(20), e suas obras se situam no período modernista, entre o simbolismo e pós-impressionismo.

7. Mary Cassatt, uma artista intimista e feminista

Mary Stevenson Cassatt nasceu no ano de 1844 no estado da Pensilvânia nos Estados Unidos. A artista era especialista na arte de retratar mulheres nos ambientes íntimos. Cassat é considerada uma das melhores pintoras do movimento modernista. Mary é amiga do artista modernista Edgar Degas.

A artista estudou Belas Artes na Filadélfia, e depois decide se mudar para Paris, apesar de não poder estudar oficialmente na Escola de Belas Artes de Paris, Mary Cassat foi treinada por diferentes artistas que haviam passado por esta escola de artes.

Mary Cassatt, autorretrato.

Os espaços para mulheres em Paris eram muito restritos, Mary Cassatt não podia frequentar os cafés onde se reuniam os artistas de vanguarda na época. Devido a pouca aceitação de mulheres nas exposições famosas de Paris, Mary faz críticas duras aos jurados destes eventos. Porém sua amizade com Edgar Degas lhe permite expor junto com os impressionistas.

O chá, Marry Cassatt. (1880)

Mary retrata a chamada Nova Mulher do século XIX (19), sendo uma artista bem sucedida que nunca se casou. Mary Cassatt foi defensora dos direitos das mulheres, sendo a favor até mesmo do movimento sufragista.

8. Berthe Morisot, co-fundadora do impressionismo

Berthe Marie Pauline Morisot nasceu em 1840 em Bourges na França. A artista foi uma pintora e fundadora do movimento do impressionismo, tendo exposto suas obras em quase todas as exposições impressionistas que foram feitas em Paris, e que contavam com artistas como Claude Monet, Paul Cézanne, e Auguste Renoir. Berthe Morisot se casou com o irmão de Édouard Manet, Eugène Manet, por isso existem diversas pinturas de Berthe feitas por Édouard Manet.

Berthe Morisot por Éduard Manet.

Berthe Morisot veio de uma família burguesa muito rica, e aprendeu artes junto com Joseph Guichard, Berthe pois nesta época não eram aceitas mulheres como alunas na Escola de Belas Artes de Paris. A artista, apesar de não ser aluna desta escola, conseguiu ter suas obras aceitas numa exposição do Salão de Paris.

Porém Berthe não gostava do estilo academicista desta época e seu domínio de arte começou a se aproximar do estilo que seria conhecido como impressionismo.

O berço, Berthe Morisot.

A artista queria ser tratada como uma artista igual aos homens, suas obras eram classificadas como tendo um “charme feminino”. Berthe Morisot, assim como Marry Cassatt também preferia pintar temas mais intimistas, relacionados ao cotidiano das mulheres.

Mulher com casaco verde, Berthe Morisot.

Berthe Morisot é uma das artistas mais importantes do impressionismo, tendo pintado diversas obras, apesar de não ser tão famosa quanto os pintores impressionistas homens, como seu cunhado, Édouard Manet.

9. Marie Bracquemond, a grande dama do impressionismo

Mary Cassatt, Berthe Morisot e Marie Bracquemond são consideradas as três damas do impressionismo. Marie era uma artista tão talentosa que foi aceita como aluna no estúdio de Jean-Auguste-Dominique Ingres, um grande pintor academicista. Apesar deste treinamento tradicional, Marie se aproximou do movimento impressionista, e suas pinturas são classificadas como arte impressionista.

As três jovens, Marie Bracquemond.

Marie Bracquemond foi uma grande amiga de Édouard Manet, e era casada com Félix Bracquemond, que também era um artista, por causa disto, Marie foi ofuscada por seu marido. A artista foi uma grande adepta do impressionismo, defendendo o movimento até o fim de sua vida.

10. Frida Kahlo, o ícone do feminismo

A artista mexicana Frida Kahlo é uma artista muito conhecida na atualidade, seu visual fora do padrão tornou a figura de Frida como um símbolo de resistência feminista. A pintora era parte de um movimento que pretendia restaurar a história e identidade do México.

Frida pintou diversos retratos e autorretratos, além de ser casada com o artista muralista Diego Rivera.

Frida Kahlo, autorretrato.

Eu fiz uma postagem completa sobre Frida Kahlo, é só clicar no nome para ir até este post.

Existem muito mais nomes de mulheres que foram pintoras talentosas, e eu selecionei dez nomes.

6 comentários em “Especial Dia Internacional da Mulher: 10 mulheres pintoras

  1. Grazie, brava! Pensa che negli anni 70, alle mie prime armi come gallerista, mi sono trovata più di una volta con clienti entusiasti di alcune opere, ma saputo il nome femminile dell’autrice, lasciavano subito perdere!🙋‍♀️

    Curtido por 1 pessoa

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