Mês: abril 2018

Justiça X Vingança e o Gumball

Eu poderia falar sobre como Justiça e vingança são diferentes, usando os argumentos de Thomas Hobbes e John Locke. Mas vou falar sobre isso usando o desenho “Gumball”.

Gumball ou “O Incrível mundo de Gumball”, é uma série de desenho animado exibido pelo Cartoon Network. Fala sobre a história da família Watterson, e o universo de Gumball é todo estilizado, o personagem gumball é um gato azul de 12 anos,  ele tem um irmão adotivo que é peixe e o nome dele é Darwin, uma irmã mais nova que é uma coelha super dotada, além de sua mãe, pai, professores, colegas de aula.

Enfim, Gumball a primeira vista poderia ser visto como um desenho puramente infantil, mas ele não é, ele aborda várias questões da vida, e dá lições filosóficas, tudo isso acontece em torno da teimosia do personagem Gumball e da ajuda e conselhos do Darwin.

gumbal

Por que estou falando de Gumball pra falar sobre a diferença de justiça e vingança?

Porque [só vou falar spoiler a partir de agora, se continuar é por sua conta] existe um episódio que o Darwin empresta uma caneta a um colega de classe, e ele acaba devolvendo a caneta com a tampa mastigada.

Aí o Gumball já diz que isso que aconteceu foi uma injustiça, e o Darwin pergunta se ele não poderia deixar pra lá ou resolver tudo na paz, mas o Gumball logo descarta a ideia dizendo que ele poderia faz isso, mas que não seria “justiça”.

Esse colega volta a classe e os dois, Darwin e Gumball estão querendo justiça, enquanto o colega não percebe nada.

No meio dessa história, em busca de justiça (que na verdade fica claro que é vingança) eles pedem uma cola emprestada desse colega (Joe Banana) e devolvem ela cheia de furos. E isso faz com que o Joe Banana use essa cola cheia de furos, e fique colado e ele acaba escorregando e vai parar na enfermaria.

O Joe banana conta a quem emprestou a cola cheia de furos, e os dois, Darwin e Gumball são levados ao conselheiro da escola (se não to misturando os episódios, ou a ordem). Mesmo depois do Joe ter ido pra enfermaria, e eles levado bronca, eles não desistem de buscar a justiça pela caneta mascada.

Daí eles decidem invadir o armário do Joe Banana,  encontram uma caneta e resolvem morder ela. Um pouco depois o Joe Banana aparece pra eles, e dá uma caneta nova, porque a antiga que eles emprestaram estava mascada, e que ele esperava que isso resolvesse o problema.

Mas os dois já tinham feito besteira mascando uma caneta do Joe Banana que acharam no armário que eles invadiram. E caem na real: “A gente exagerou, tomara que ele não descubra a história do armário”, um diz pro outro.

Nesse meio tempo o Joe Banana fala que ele possui guardada no armário uma caneta que foi herdade pela família, e que ele sabia como o Darwin se sentia pela caneta estragada, já que ele ficaria irado se estragassem a caneta dele. Ou seja… F%$#@…. rola a maior confusão, e no final da história o Gumball tira do bolso uma caneta mascada, e aí diz pro Darwin “Foi mal, acho que fui eu que masquei sua caneta”.

A moral desse episódio: é muito fácil exagerar na busca por “Justiça”, que pode virar vingança (que é uma reação exagerada e muito mais violenta que o ato que pede “justiça” ou reparação). E como não existe juiz imparcial, e o Gumball é movido por emoções e preconceitos. A coisa degringola…. e ao tentar fazer justiça com as próprias mãos eles acabam exagerando e cometendo uma injustiça.

Afinal, mascar a caneta hereditária do Joe Banana, invadindo o armário dele, é muito pior do que supostamente entregar uma caneta que foi emprestada só que entregue mascada.

E é mais ou menos isso que os filósofos argumentam, que a justiça com as próprias mãos pode levar a um exagero e a mais violência.

*Os direitos de imagem e reprodução dos episódios de Gumball são da Cartoon Network. Além da publicidade involuntária desse desenho, eu recomendo que assistam os outros episódios, porque eles passam as coisas de forma leve, divertida e ao mesmo tempo promovem reflexão.

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“Nunca pergunte por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”

Essa frase é do poeta inglês John Donne, que viveu entre os séculos XVI e XVII. Ele teve uma vida difícil, viveu na pobreza, escreveu muitas poesias. E a frase famosa, que está no título do post, foi escrita na última fase de sua vida, quando estava doente, e tinha sofrido muitas perdas (morte de amigos e até a filha faleceu – aos 18 anos), e continuava pobre.

A frase completa é: “A morte de cada homem diminui-me, porque sou parte da humanidade. Portanto, nunca procure saber por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”.

A citação tem vários significados, mas a que eu acho melhor é que essa frase fala sobre a empatia humana. Que a vida de todos os homens é importante, e quando alguém morre, a humanidade também morre. Pois essa vida que se foi, representa um vazio na sociedade. E devido a empatia, cada ser humano sente essa perda.

E também representa que estamos todos conectados (o homem do pântano diz isso para o Avatar, no desenho Avatar: A lenda de Aang*, no episódio do pântano, na segunda temporada), é algo muito profundo.

Além do sino anunciar a morte de alguém, ele também tem outras funções, ele representa “a voz de Deus”, guia as almas perdidas para a redenção, e marca as horas (é útil, mas não tem a ver com a frase). O sino dobra por vários motivos na Igreja Católica.

Sino da igrejs

Fonte da imagem 

Saindo da reflexão espiritual e indo pra parte filosófica. A empatia** humana, segundo alguns cientistas, seria a raiz da ética.

E a ética é um dos assuntos preferidos dos nossos queridos filósofos, e será o futuro tema que abordarei no blog. Ética: o que é? o que come? e onde vive? Não perca no próximo programa “Filsofia Popular” ou pop para os mais íntimos.

*Assista esse desenho, ele começa meio bobinho e infantil, mas é só uma impressão, conforme a história progride vai ficando cada vez mais adulto e complexo. O Avatar recebe várias lições de vida, e o final é muito bom. O jeito que os escritores acharam uma solução para o problema do que aconteceria com a nação do fogo quando a guerra acabasse, foi perfeito, e essa solução já começa no Livro 3, ou terceira temporada.

**Existe uma parte do cérebro que é responsável pela empatia, mas o mecanismo dessa emoção no cérebro humano. de acordo com ciência, ainda não está bem estabelecido. Mas empatia é algo real, quem não tem essa capacidade cerebral de sentir empatia pelos outros são conhecidos como psicopatas (psicopatia é uma doença cerebral).

 

Pra que servem as emoções?

Estou lendo um livro sobre inteligência emocional, cujo nome é “Inteligência Emocional: A Teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente.” do autor Daniel Goleman.

É um livro muito bom, meio auto-ajuda meio científico, com uma proposta clara sobre emoções, como lidar, pra que serve,  como uma emoção afeta nosso clareza mental, emoções em crianças, tem até uma parte sobre casamentos difíceis.

Ainda tem conselhos e explicações, além de ter um suporte científico quando fala sobre as experiências e a anatomia do cérebro. Em resumo, vale a pena ler.

Voltando a pergunta do post: Pra que servem as emoções?

Esse livro que eu citei tem um capítulo com esse título e uma resposta. Mas eu já li uns 10 livros de psicologia, desde Freud até Jung.

Vou responder essa pergunta de acordo com o que eu li e as experiências que eu tive.

Não servem pra nada….brincadeirinha.

As emoções surgem no cérebro, como todo mundo deve saber, e são respostas a situações que a gente passa. Porém, sua utilidade vai além disso.

Nossa mente é muito complexa, temos a parte racional, emocional, o consciente, o inconsciente e é nessa mistura que a gente vive….existe…

A parte emocional tem um apelo muito forte no nosso cérebro, podemos fazer coisas irracionais quando estamos dominados por uma emoção. Você pode pensar que isso é ruim, e em muitos casos é. Mas pensando em termos de humanidade como um todo e porque ou como sobrevivemos e chegamos até aqui, as emoções tiveram um papel enorme nisso.

Nossos primeiros ancestrais surgiram há cerca de 2 milhões de anos, e ao longo desse tempo eles estiveram expostos a natureza amigável e acolhedora…

natureza

Além de predadores gigantes…

SmilodonTigre-dentes-de-sabre - Mauricio Antón

Fonte das imagens acima: mundopre-historico.blogspot.com

Os animais eram gigantes, e repito gigantes, e eu estou mostrando uma imagem da pré-história. Não uma que representa os animais que tinham há 2 milhões de anos, os animais foram diminuindo com o tempo.

Os nossos ancestrais tinham que comer, e  viviam em comunidades e tinham ferramentas. E tem outra coisa que eles tinham que conviver, a seleção natural, que é responsável pela evolução dos animais, inclusive os humanos. Foi a natureza amigável que fez essa seleção natural, ou seja, os mais aptos sobreviviam e deixavam descendentes.

E assim…ao longo de 2 milhões de anos, nos tornamos o que somos hoje. E qual o papel das emoções nisso? Pensa em como é difícil viver numa caverna, sem luz elétrica, com ferramentas feitas de ossos de animais, com predadores querendo te devorar, e ainda você tem que cuidar dos seus filhos, e proteger eles do perigo. Ah, e também tem que conseguir comida pra todos.

Foram as emoções que nos ajudaram a sair das cavernas, enfrentar a natureza e desbravar o mundo. Como? O amor aos filhos por exemplo, é um sentimento tão forte, que é capaz de fazer os pais se sacrificarem pra salvar o filho de um perigo iminente.

Por exemplo, um leão que quer devorar seu filho de 6 anos, provavelmente, nessa situação, um pai ou mãe, se colocaria na frente desse leão, fazendo um sacrifício pra salvar o filho. Esse tipo de sacrifício (um ato imediato) só é possível se for guiado por emoções fortes. Pensar demora um tempo, e o leão já teria devorado seu filho durante o seu pensamento, e teria devorado você depois.

O comportamento emocional é assim, faz os atos serem imediatos. Pois numa situação que exige uma resposta rápida, o pensamento racional retardaria essa resposta, e isso poderia custar a sua vida, ou a vida de entes queridos.

E as emoções ruins? Como a tristeza? qual a utilidade delas? Eu fiz um post no blog/site sobre isso.

A utilidade das emoções está nessa capacidade que ela tem de preservar a raça humana, ao longo da nossa evolução.