John Locke: limitando o Leviatã, e ajudando o Brasil hoje…

Tem que ler todo o post ou aceitar a corrupção na política.

“Visto que os homens que vivem em sociedade são proprietários, têm o direito de possuir todos os bens que lhe pertencem em virtude da lei da comunidade social, dos quais ninguém tem o direito de privá-los ou de qualquer parte deles, sem seu próprio consentimento(…)Por isso é um erro acreditar que o poder supremo ou legislativo de qualquer comunidade social possa fazer o que ele desejar, e dispor arbitrariamente dos bens dos súditos ou tomar qualquer parte delas como bem entender.John Locke, Segundo Tratado do Governo Civil.

Relembrando o que Locke diz anteriormente…

Os homens se reúnem em sociedade e formam um governo porque sem isso, não haveria garantias e nem leis que punissem quem praticasse crime, e ninguém seria proprietário de nada, pois, no estado de natureza, um homem poderia tomar o bem do outro. (tá no link a versão inteira)

Então, a sociedade dá poder supremo a uma coisa, que é chamada de Estado, no intuito deste criar leis e garantias da propriedade e limite de liberdade (que um respeitasse o outro) de cada homem.

O Estado seria um tipo de lugar onde o homem pode recorrer pra pedir ajuda caso outro homem tentasse tirar as coisas dele através da força, ou se invadissem seu espaço, falando de forma mais simples.

E o que Locke diz na citação acima é que o Estado não pode fazer o que desejar, pois ele foi criado no intuito de proteger a comunidade, garantir as leis, a paz, a justiça e a propriedade privada. Se um Estado passasse a roubar, e fazer coisas arbitrarias e contra a sociedade, ele não teria utilidade e seria melhor viver como em The Walking Dead, com um guerreando contra o outro, formando grupos pra se proteger. Ou seja, o limite do poder supremo vai até onde ele é útil pra sociedade e o bem comum. (Hobbes deixa implicito isso numa parte do livro Leviatã, quando avisa que ele é um monstro mortal e pode ser substituído quando não serve mais pra sociedade).

Continuando….

Isso não deve ser muito temido em governos em que o legislativo consiste inteiramente, ou em parte, de assembléias de composição variável, e cujos membros, quando elas são dissolvidas, retornam à condição de súditos e estão sujeitos, da mesma forma que o restante das pessoas, às leis comuns de seu país.

Essa é a solução para os problemas políticos do Brasil. Criar um legislativo variável, que quando acaba o mandato eles se tornam cidadãos comuns e sujeitos as leis que eles mesmo criaram.

“Mas em governos em que o poder legislativo reside em uma assembléia permanente ou em um único homem, como nas monarquias, pode-se sempre recear que eles creiam ter um interesse distinto do resto da comunidade e então sejam capazes de aumentar suas próprias riquezas e seu poder, tomando do povo o que mais lhes convier. “

É o problema que temos no Brasil. Embora exista as eleições (que deveria substituir os membros da assembleia), os políticos são sempre reeleitos ou seus filhos e parentes. Isso torna nosso legislativo uma assembléia(ou câmara) permanente na prática. E temos o problema que  Locke falou, essa assembleia pode criar um interesse distinto da comunidade e usar o poder pra aumentar suas riquezas e o também o próprio poder.

Então, se você tem um político ou partido de estimação, aceite a corrupção e conviva com isso.

Pra mudar a situação política brasileira e acabar com a corrupção e fazer a assembleia (e a câmara) representar o povo realmente. só tem uma solução democrática.

Em todas as eleições, ela deve ser renovada, nenhum político poderia ser reeleito. E votar em candidato apoiado por um político membro do legislativo (ou seu filho ou parente) é como votar no próprio político. Ou seja, as coisas não mudam, pois os membros da assembleia não mudam.

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A solução não é a ditadura militar e sim fazer decisões sensatas na hora de votar num candidato, pra que mude todos os membros da câmara ou assembleia.

*Leviatã é o nome que Thomas Hobbes dá a um Estado constituído de poder soberano. O Leviatão é o Estado.

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Montesquieu e os pobres

“Um homem não é pobre porque não tem nada, mas porque não trabalha” Montesquieu.

Aquele carroceiro, catador de lixo, que anda a cidade toda carregando um carrinho, não deve ser pobre, afinal, ele trabalha muito.

E aquele político que aparece uma vez por mês na assembleia pra votar, deve ser pobre, porque não trabalha todos os dias.

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“o Estado muitas vezes é obrigado a prover às necessidades dos velhos, dos doentes e dos orfãos. Um estado bem policiado tira essa subsistência do próprio fundo das artes, dá a uns os trabalhos de que são capazes, ensina os outros a trabalhar, o que já é um trabalho.”

Hmmm…. deixa eu resumir o resto, ele diz que um estado não deve dar esmolas pois isso não é obrigação do Estado, este deve a todo cidadão uma subsistência garantida, o alimento, um estilo de vida não contrário a saúde. (Claro que esse dever se resume a uma palavra: trabalho, pois resolve todos os problemas do universo)

“As riquezas de um Estado supõe muitas indústrias”. Ok, isso é verdade. “Não é possível que num número tão grande(…) de comércio não exista um que sofra (…) é então que o Estado precisa prestar socorro rápido.”

Deixa eu ver se entendi direito, Montesquieu diz que o homem é pobre por que quer, depois fala que um comércio pode sofrer e o Estado deve ajudar. Então, o Estado deve ajudar um comércio incompetente mas não o pobre?

O resto do capítulo é pérola atrás de pérola. Resumidamente ele fala que uma nação pobre não deve ser ajudada, pois não adiantaria, e essa ajuda inspira a preguiça e aumenta a pobreza dessa nação. Ele chama os monges de preguiçosos, e admira o que Henrique VIII fez, e que isso criou o espírito de comércio e de indústria que foi estabelecido na Inglaterra.

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O que Henrique VIII fez aos pobres, mendigos, e ociosos beira a crueldade. Ele mandava eles pra workhouses (casas de trabalho forçado), ele ainda punia as pessoas com açoites e prisão se não trabalhassem. Aquela história de jornada de trabalho de 18 horas não começa na Revolução Industrial, começa em 1500.

E as causas da pobreza vão além de falta de trabalho, o pobre pra sair da situação de pobreza precisa de educação, saúde, assistência social, psicólogos.

Imagine alguém que nasceu pobre, as vezes a família é desestruturada, e a criança negligenciada (pensa em como é diferente alguém que tem família, que teve educação e cuidados).

E como essas pessoas não encontram oportunidades pra sair dessa situação, então os jovens são desencorajados a tentar sair da pobreza, porque acham que não é possível, e eles se contentam com o pouco que tem e estão acostumados. Não é preguiça de trabalhar.

E a pobreza da população não é uma coisa boa para uma nação ou Estado, causa muitos problemas e faz com que o Estado tenha que gastar mais em saúde, educação e segurança. Quanto menos pobres existir, os gastos de um governo tendem a diminuir.

Por outro lado, a pobreza pode ser vista por empresários como uma oportunidade de conseguir mão de obra barata, pra baratear os custos da empresa.

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Tem uma coisa que eles não pensam e na realidade esse tiro sai pela culatra e os gastos aumentam, mas não interfiro nessas punições dadas pelo universo a essas pessoas cruéis.

Enfim, Montesquieu é muito simplista.

René Descartes (2): Quando ele pensou demais…

“NAQUELA ÉPOCA, encontrava-me na Alemanha, para onde me sentira atraído pelas guerras, que ainda não terminaram, e, ao regressar da coroação do imperador para o exército, o começo do inverno me obrigou a permanecer num quartel onde, por não encontrar convívio social algum que me distraísse, e, também, felizmente, por não ter quaisquer desejos ou paixões que me perturbassem, ficava o dia inteiro fechado sozinho num quarto bem aquecido, onde dispunha de todo o tempo para me entreter com os meus pensamentos.” René Descartes, O discurso do método.

E sem internet….como ele conseguiu sobreviver assim nesse tédio?

Nesta parte do livro ele começa a falar sobre quando ele ficou isolado e o que ele fez durante o período. Nesse momento que ele começa a filosofar sobre as coisas e pensar na vida, e começa a viajar nos pensamentos.

Começa a pensar sobre como uma construção grande planejada é diferente daquelas que foram crescendo se tornando uma coisa esquisita, com peças que não combinavam. Ele leva essa mesma ideia para a sociedade, e a ciência que foi crescendo “em camadas”.

Mas ele chega racionalidade rápido, ele diz que viu que era maluquice uma pessoa só reformar um sistema inteiro (científico, filosófico, político etc), mesmo que possua alicerces fracos.

“Esses grandes corpos são demasiado difíceis de reerguer quando abatidos, ou mesmo de escorar quando abalados, e suas quedas não podem deixar de ser muito violentas.”René Descartes, O discurso do método.

“(…) Aqui está o motivo pelo qual eu não poderia de maneira alguma aprovar esses temperamentos perturbadores e inquietos que, não sendo chamados, nem pelo nascimento, nem pela fortuna, à administração dos negócios públicos, não deixam de neles realizar sempre, em teoria, alguma nova reforma.”René Descartes, O discurso do método.

“(….)Jamais o meu objetivo foi além de procurar reformar meus próprios pensamentos e construir num terreno que é todo meu.”René Descartes, O discurso do método.

Aquela famoso estilo de vida que eu gosto, eu também prefiro ficar na minha e resolver meus assuntos do que se meter em coisas malucas e revolucionárias. Mas na verdade, nessa parte do capítulo ele faz um alerta: ninguém deve imitar o que ele fez.

Apesar de ele não querer se engajar em mudanças radicais da sociedade como um revolucionário. Ele fez outro tipo de maluquice, resolveu duvidar de tudo que tinham ensinado pra ele, tudo que ele via, o que tinham dito, até que se provassem verdadeiros.

Ele vira aquele filósofo maluco que duvida que a realidade é real etc…e cria o método cartesiano, o racionalismo puro, e ainda se envolve em matemática e cria a geometria analítica.

RazaoCartesiana

Duvida da realidade mas acredita plenamente na existência de Deus.

E eu quero chegar nessa parte da argumentação dele sobre Deus. Além de explicar o método cartesiano, que é uma parte muito chata do livro dele, e você está nesse blog pra saber filosofia de uma forma fácil. Tudo o que o texto de Descartes não é.