Representatividade de pessoas afrodescendentes ao longo do tempo

No ano de 40, os EUA criaram o “teste da boneca”, a criança ficava sentada numa mesa e eram colocados na frente dela duas bonecas, uma de pele clara e outra de pele escura, mas também trocavam de cor e etnia as crianças que iriam escolher. O Resultado foi de mesmo para as crianças com a pele mais escura, elas acabam escolhendo a de tom mais claro. E é fácil explicar o porque.

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A própria propaganda usava estereótipos, japoneses de cor escura e com a face do mal querendo desvirginar uma mocinha pura. E os heróis tinham tez clara, com olhos azuis ou verdes. A ideia do soldado branco nos salvando de estrangeiros hostis, era uma das temáticas desse tipo de propaganda na época.

 

Propaganda racista do final do século XIX onde apresenta um negro sendo lavado com alvejante para ficar com a pela branca.

Tradução livre: “Usando chlorinol e virando um negro claro”

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O cabelo alisado chegou a virar moda nas passarelas, nem o cabelo negro era aceito. Felizmente hoje em dia, através de muita luta, pode-se usar os cachos assumidos. Afinal, quem foi que disse que o cabelo crespo não tem suas qualidades e beleza? Por que deveria alisado e “domado”?  O cabelo crespo não deve ser considerado como se fosse algo selvagem.

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Afinal qual é o problema de usar o cabelo do jeito natural?

A segregação racial explícita e a velada

Essa aceitação do negro inserido numa sociedade de direitos é algo relativamente novo no nosso país, e até mesmo no mundo. Em períodos de repressão, como a ditadura militar, se fazia um segregamento velado. Afinal, existia um certo estereótipo do que seria o cidadão “de bem” para a estrutura de poder dominante. Essa imagem era de um homem branco e conservador, enquanto ao negro caberia ser uma pessoa empregada pelo branco aceitando baixos salários e tendo que viver nas periferias das cidades.

Porém esse racismo não era somente uma característica das ditaduras da América Latina. Até os anos 50, nos EUA, haviam leis de segregação racial, as chamadas Jim Crow Laws.

Brancos e negros não podiam conviver no mesmo espaço. E as pessoas de cor (Colored People, em inglês), muitas vezes, tinham que ceder seu espaço aos brancos.

Como o assunto é representatividade e a evolução da imagem de pessoas afrodescendentes na sociedade. Convém lembrar que o próprio nome dessas leis de segregação racial americanas teve como origem o estereótipo das pessoas “de cor” no século XIX. Havia uma canção chamada Jim Crow Jump que era cantada e interpretada por um cantor que se caracterizava com a “blackface”.

Essas leis foram abolidas em 1965, depois de uma extensa campanha e luta pelos direitos dos afro-americanos nos EUA.

Mesmo assim o mundo não se viu livre da segregação racial. O regime do Apartheid na África do Sul durou até o ano de 1994.

A luta pela inserção e direitos dos negros na sociedade continua até hoje.

Mudar a imagem da pessoa afrodescendente na mídia é muito importante. A escolha da Miss Universo, Zozibini Tunzi já provoca uma alteração da percepção que a criança negra tem, de que a pessoa branca e loira é bonita enquanto a sua cor de pele seria feia, como aconteceu no caso que eu citei no começo do texto.

Assim as crianças negras já começam a se perceber bonitas e representadas na mídia.

E o estereótipo da princesa loira bonita começa a ser quebrado.

E a diversidade de representações de princesa infantil padrão Disney começa a mudar.

O vídeo que correu na internet da menininha que se viu representada na TV através da imagem da apresentadora de telejornal Maju e viralizou, mostra essa quebra de padrão.

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Maju e Maria Alice

Fonte da imagem: https://www.propagandashistoricas.com.br/2014/08/alvejante-chlorinol-racismo-1890.html

E pixabay

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