O pálido ponto azul – Qual é o nosso lugar no Universo?

Na década de 80, o cientista Carl Sagan teve uma ideia e propôs que a NASA utilizasse a sonda Voyager 1 pra tirar uma foto da Terra. Essa sonda estava há uma distância de mais ou menos 40 U.A (Unidade Astronômica), mais de 40 vezes a distância da Terra ao Sol.

Desse afastamento que a Voyager 1 estava, a Terra pareceria muito pequena, do tamanho de um grão de poeira. Então o resultado da fotografia foi esse:

palidoponto

Sim, esse pequeno pontinho é o nosso planeta, e diante da vastidão do Universo nosso planeta é quase nada. Essa medida de 40 U.A é uma distância relativamente insignificante, pois 1 ano-luz equivale a 63 mil U.A, e nós estamos longe da galáxia de Andrômeda uns 2 milhões de anos-luz.

A intenção do Carl Sagan era protestar contra as matanças, crueldades, brigas pelo poder, mostrando a nossa pequeneza diante do Universo e que era melhor a humanidade seguir um caminho de paz e compreensão, pois esse ponto pálido é o nosso único lugar no Universo, sem esse pequeno pontinho nossa vida é impossível de existir.

Esse foi a reflexão dele:

“Olhem de novo esse ponto. É aqui, é a nossa casa, somos nós. Nele, todos a quem ama, todos a quem conhece, qualquer um sobre quem você ouviu falar, cada ser humano que já existiu, viveram as suas vidas. O conjunto da nossa alegria e nosso sofrimento, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas confiantes, cada caçador e coletor, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e camponês, cada jovem casal de namorados, cada mãe e pai, criança cheia de esperança, inventor e explorador, cada professor de ética, cada político corrupto, cada “superestrela”, cada “líder supremo”, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali – em um grão de pó suspenso num raio de sol.

A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, pudessem ser senhores momentâneos de uma fração de um ponto. Pense nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores de um canto deste pixel aos praticamente indistinguíveis moradores de algum outro canto, quão frequentes seus desentendimentos, quão ávidos de matar uns aos outros, quão veementes os seus ódios.

As nossas posturas, a nossa suposta auto importância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são desafiadas por este pontinho de luz pálida. O nosso planeta é um grão solitário na imensa escuridão cósmica que nos cerca. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de outro lugar para nos salvar de nós próprios.

A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que abriga vida. Não há outro lugar, pelo menos no futuro próximo, para onde a nossa espécie possa emigrar. Visitar, sim. Assentar-se, ainda não. Gostemos ou não, a Terra é onde temos de ficar por enquanto.

Já foi dito que astronomia é uma experiência de humildade e criadora de caráter. Não há, talvez, melhor demonstração da tola presunção humana do que esta imagem distante do nosso minúsculo mundo. Para mim, destaca a nossa responsabilidade de sermos mais amáveis uns com os outros, e para preservarmos e protegermos o “pálido ponto azul”, o único lar que conhecemos até hoje.

— Carl Sagan

Ele obteve sucesso ao nos colocar no “nosso lugar”, pois hoje em dia existe um grupo de pessoas que chegaram ao extremo de negar que os planetas existem, que as galáxias existe, que o próprio Universo existe, e tentam colocar a Terra de volta ao centro de tudo e como sendo a única coisa que existe.

Essa negação extrema tem uma explicação psicológica. Se o Universo é tão grande quanto os cientistas dizem que é, qual é o nosso lugar nele? Somos insignificantes mesmo? Não existe ninguém cuidando da gente? Estamos sozinhos e abandonados?

A resposta é: não importa o tamanho do Universo, se você acredita na existência de um Deus e ele é tão infinitamente poderoso quanto dizem, então ele consegue cuidar da humanidade mesmo num Universo gigante. Na verdade, ao reduzir tudo ao nosso planeta, é como se dissessem que Deus não é tão poderoso, e isso seria quase uma falta de fé.

Mesmo que o nosso Universo seja enorme, é difícil encontrar sistemas que sejam exatamente iguais, podem se achar coisas parecidas mas não idênticas em todos os aspectos. Por isso o Carl Sagan fala da importância de preservar nosso mundo, não vai existir outro planeta Terra que a gente possa fugir se terminarem de destruir nosso planeta. Ou seja, somos especiais, nosso mundo é especial.

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Existe uma reflexão sobre o nosso lugar no Universo, feita pelo astrofísico Neil deGrasse Tyson no documentário do History Channel: “Além do Big Bang”, que diz:

“Cada molécula do nosso corpo e os átomos dessas moléculas podem ser rastreados até os núcleos incandescentes das estrelas, que explodiram e lançaram os elementos pela galáxia, enriquecendo nuvens gasosas primitivas com a química da vida.

Estamos todos conectados entre nós, biologicamente, à Terra quimicamente e ao resto do Universo atomicamente. (…)

Não somos melhores do que o Universo, somos parte dele. Estamos no Universo, e ele está em nós.”

Atualização 15/02/2020 – Imagem reprocessada pela NASA em homenagem aos 30 anos desse registro fotográfico:

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