Categoria: Grandes autores

Como choramos e rimos da mesma coisa?

Uma breve introdução…

Michel de Montaigne, nasceu em 1533, foi um humanista , escritor, filósofo e cético.

Sua grande obra foram os Ensaios, que são livros com textos curtos sobre diversos assuntos. Tipo um blog de 1500?

O que mais me interessou foi as ideias dele sobre a educação das crianças. Segundo ele, a educação rígida, com livros enormes, consumiria muito tempo e seria pouco eficiente.

A educação deveria formar indivíduos honestos, aptos ao julgamento, tornando-os um adulto mais sábio e melhor.  E o ensino deveria ser mais voltado a experiência, além de respeitar a individualidade da criança. É uma ideia muito futurística, pra alguém de 1500 e bolinha.

Um dos livros dele que eu to lendo, “Ensaios da amizade e outros textos”, contém o famoso texto em que ele faz em homenagem a um amigo dele que morreu, é muito comovente e maduro.

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O autor não dá muitas respostas, mas lança muitas perguntas e fala de situações que a gente passa. Por exemplo, ontem alguém me falou que quando a gente rompe um relacionamento tóxico, nós devemos nos sentir feliz e não tristes e feliz ao mesmo tempo.

Mas todo ser humano, que tem sua humanidade intacta, tem isso, de ter sentimentos conflitantes.

Então, vamos responder a pergunta do título do post:

Como choramos e rimos da mesma coisa, segundo Montaigne?

Tem um capítulo do livro que se chama: “Como choramos e rimos da mesma coisa” e ele conta relatos históricos de líderes que quando matavam seus inimigos ficavam tristes pela morte deles, embora quisessem o inimigo morto, choravam/lamentavam quando este morria.

Montaigne diz que o ser humano é cheio de emoções opostas, pois cada coisa/pessoa/relacionamentos tem diversos aspectos, bons e ruins, e ainda temos aquilo…

Aquilo que se chama esperança. Enfim….

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“Nunca pergunte por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”

Essa frase é do poeta inglês John Donne, que viveu entre os séculos XVI e XVII. Ele teve uma vida difícil, viveu na pobreza, escreveu muitas poesias. E a frase famosa, que está no título do post, foi escrita na última fase de sua vida, quando estava doente, e tinha sofrido muitas perdas (morte de amigos e até a filha faleceu – aos 18 anos), e continuava pobre.

A frase completa é: “A morte de cada homem diminui-me, porque sou parte da humanidade. Portanto, nunca procure saber por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”.

A citação tem vários significados, mas a que eu acho melhor é que essa frase fala sobre a empatia humana. Que a vida de todos os homens é importante, e quando alguém morre, a humanidade também morre. Pois essa vida que se foi, representa um vazio na sociedade. E devido a empatia, cada ser humano sente essa perda.

E também representa que estamos todos conectados (o homem do pântano diz isso para o Avatar, no desenho Avatar: A lenda de Aang*, no episódio do pântano, na segunda temporada), é algo muito profundo.

Além do sino anunciar a morte de alguém, ele também tem outras funções, ele representa “a voz de Deus”, guia as almas perdidas para a redenção, e marca as horas (é útil, mas não tem a ver com a frase). O sino dobra por vários motivos na Igreja Católica.

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Fonte da imagem 

Saindo da reflexão espiritual e indo pra parte filosófica. A empatia** humana, segundo alguns cientistas, seria a raiz da ética.

E a ética é um dos assuntos preferidos dos nossos queridos filósofos, e será o futuro tema que abordarei no blog. Ética: o que é? o que come? e onde vive? Não perca no próximo programa “Filsofia Popular” ou pop para os mais íntimos.

*Assista esse desenho, ele começa meio bobinho e infantil, mas é só uma impressão, conforme a história progride vai ficando cada vez mais adulto e complexo. O Avatar recebe várias lições de vida, e o final é muito bom. O jeito que os escritores acharam uma solução para o problema do que aconteceria com a nação do fogo quando a guerra acabasse, foi perfeito, e essa solução já começa no Livro 3, ou terceira temporada.

**Existe uma parte do cérebro que é responsável pela empatia, mas o mecanismo dessa emoção no cérebro humano. de acordo com ciência, ainda não está bem estabelecido. Mas empatia é algo real, quem não tem essa capacidade cerebral de sentir empatia pelos outros são conhecidos como psicopatas (psicopatia é uma doença cerebral).

 

John Locke: Por que o homem escolhe viver em uma sociedade política?

No livro O segundo tratado sobre o Governo Civil, John Locke aborda os motivos que levam o homem a viver em sociedade e a escolher viver em um Estado.

Nessa parte, das razões do homem fazer isso, ele não difere tanto do que Thomas Hobbes fala, mas essa diferença existe. E ela está na forma que ele separa o homem em estado de natureza e em estado de guerra. Hobbes diz que o homem fora da sociedade, está sempre em estado de guerra. Mas para Locke, o homem na natureza só está em estado de guerra quando entra em disputas, e o estado de natureza é o homem vivendo sem leis, sem garantias de justiça e da propriedade de bens.

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Fonte da imagem: Curso de educação física – UNEB

Como no estado de natureza, o homem não possui garantias, e o julgamento humano no caso de uma controvérsia, costuma ser parcial. E existem indivíduos que se corrompem e cometem abusos e praticam crimes. Sem um Estado, com leis estabelecidas, existe o problema de como punir esse indivíduo, e quando a punição for aplicada ela deveria ser justa, mas os homens por causa de sentimentos de vingança, raiva etc costumam aplicar uma punição excessiva.

Então pra Locke e Hobbes os homens se unem em sociedade e escolhem viver sob a tutela de um governo para garantir sua própria preservação e ter uma convivência pacífica. Hobbes foca mais na parte pacífica e Locke na preservação do homem e seus bens.

É bom saber….

John Locke e Thomas Hobbes não definem o homem como sendo um ser mal e perverso por natureza. Eles são realistas quanto ao homem e seu comportamento, sabem que os humanos tem defeitos, que muitas vezes agem de acordo com interesses particulares, e podem ser corrompidos.

Os dois filósofos falam sobre Justiça, e não teria sentido eles falarem sobre esse assunto se considerassem que todos os homens são ruins e incontroláveis. Pois se assim fosse, não teria como criar um sistema de leis justas (mal e justiça é como ter ira e moderação ao mesmo tempo), e se todos fossem ruins por natureza, como acharíamos um juiz ou magistrado? Na verdade, nunca sairíamos do estado de guerra pra formar uma sociedade.

E é por isso que eu não estou usando o filósofo Rousseau para contra argumentar Thomas Hobbes. Porque aquela história de que o homem é bom por natureza e a sociedade que corrompe, não é realista.

E hoje em dia sabemos (através de estudos da psicologia e o avanço na área da psiquiatria) que não existe um homem totalmente bom ou totalmente mal (exceto psicopatas e sociopatas, mas Hobbes exclui eles do livro Leviatã quando diz que não consegue conceber alguém que sinta prazer na crueldade, ou seja, o psicopata).

A mente humana é muito complexa.

Claro que no futuro falarei sobre o filósofo iluminista Rousseau (assim que eu achar o livro dele que eu perdi).