“Nunca pergunte por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”

Essa frase é do poeta inglês John Donne, que viveu entre os séculos XVI e XVII. Ele teve uma vida difícil, viveu na pobreza, escreveu muitas poesias. E a frase famosa, que está no título do post, foi escrita na última fase de sua vida, quando estava doente, e tinha sofrido muitas perdas (morte de amigos e até a filha faleceu – aos 18 anos), e continuava pobre.

A frase completa é: “A morte de cada homem diminui-me, porque sou parte da humanidade. Portanto, nunca procure saber por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”.

A citação tem vários significados, mas a que eu acho melhor é que essa frase fala sobre a empatia humana. Que a vida de todos os homens é importante, e quando alguém morre, a humanidade também morre. Pois essa vida que se foi, representa um vazio na sociedade. E devido a empatia, cada ser humano sente essa perda.

E também representa que estamos todos conectados (o homem do pântano diz isso para o Avatar, no desenho Avatar: A lenda de Aang*, no episódio do pântano, na segunda temporada), é algo muito profundo.

Além do sino anunciar a morte de alguém, ele também tem outras funções, ele representa “a voz de Deus”, guia as almas perdidas para a redenção, e marca as horas (é útil, mas não tem a ver com a frase). O sino dobra por vários motivos na Igreja Católica.

Sino da igrejs

Fonte da imagem 

Saindo da reflexão espiritual e indo pra parte filosófica. A empatia** humana, segundo alguns cientistas, seria a raiz da ética.

E a ética é um dos assuntos preferidos dos nossos queridos filósofos, e será o futuro tema que abordarei no blog. Ética: o que é? o que come? e onde vive? Não perca no próximo programa “Filsofia Popular” ou pop para os mais íntimos.

*Assista esse desenho, ele começa meio bobinho e infantil, mas é só uma impressão, conforme a história progride vai ficando cada vez mais adulto e complexo. O Avatar recebe várias lições de vida, e o final é muito bom. O jeito que os escritores acharam uma solução para o problema do que aconteceria com a nação do fogo quando a guerra acabasse, foi perfeito, e essa solução já começa no Livro 3, ou terceira temporada.

**Existe uma parte do cérebro que é responsável pela empatia, mas o mecanismo dessa emoção no cérebro humano. de acordo com ciência, ainda não está bem estabelecido. Mas empatia é algo real, quem não tem essa capacidade cerebral de sentir empatia pelos outros são conhecidos como psicopatas (psicopatia é uma doença cerebral).

 

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Pra que servem as emoções?

Estou lendo um livro sobre inteligência emocional, cujo nome é “Inteligência Emocional: A Teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente.” do autor Daniel Goleman.

É um livro muito bom, meio auto-ajuda meio científico, com uma proposta clara sobre emoções, como lidar, pra que serve,  como uma emoção afeta nosso clareza mental, emoções em crianças, tem até uma parte sobre casamentos difíceis.

Ainda tem conselhos e explicações, além de ter um suporte científico quando fala sobre as experiências e a anatomia do cérebro. Em resumo, vale a pena ler.

Voltando a pergunta do post: Pra que servem as emoções?

Esse livro que eu citei tem um capítulo com esse título e uma resposta. Mas eu já li uns 10 livros de psicologia, desde Freud até Jung.

Vou responder essa pergunta de acordo com o que eu li e as experiências que eu tive.

Não servem pra nada….brincadeirinha.

As emoções surgem no cérebro, como todo mundo deve saber, e são respostas a situações que a gente passa. Porém, sua utilidade vai além disso.

Nossa mente é muito complexa, temos a parte racional, emocional, o consciente, o inconsciente e é nessa mistura que a gente vive….existe…

A parte emocional tem um apelo muito forte no nosso cérebro, podemos fazer coisas irracionais quando estamos dominados por uma emoção. Você pode pensar que isso é ruim, e em muitos casos é. Mas pensando em termos de humanidade como um todo e porque ou como sobrevivemos e chegamos até aqui, as emoções tiveram um papel enorme nisso.

Nossos primeiros ancestrais surgiram há cerca de 2 milhões de anos, e ao longo desse tempo eles estiveram expostos a natureza amigável e acolhedora…

natureza

Além de predadores gigantes…

SmilodonTigre-dentes-de-sabre - Mauricio Antón

Fonte das imagens acima: mundopre-historico.blogspot.com

Os animais eram gigantes, e repito gigantes, e eu estou mostrando uma imagem da pré-história. Não uma que representa os animais que tinham há 2 milhões de anos, os animais foram diminuindo com o tempo.

Os nossos ancestrais tinham que comer, e  viviam em comunidades e tinham ferramentas. E tem outra coisa que eles tinham que conviver, a seleção natural, que é responsável pela evolução dos animais, inclusive os humanos. Foi a natureza amigável que fez essa seleção natural, ou seja, os mais aptos sobreviviam e deixavam descendentes.

E assim…ao longo de 2 milhões de anos, nos tornamos o que somos hoje. E qual o papel das emoções nisso? Pensa em como é difícil viver numa caverna, sem luz elétrica, com ferramentas feitas de ossos de animais, com predadores querendo te devorar, e ainda você tem que cuidar dos seus filhos, e proteger eles do perigo. Ah, e também tem que conseguir comida pra todos.

Foram as emoções que nos ajudaram a sair das cavernas, enfrentar a natureza e desbravar o mundo. Como? O amor aos filhos por exemplo, é um sentimento tão forte, que é capaz de fazer os pais se sacrificarem pra salvar o filho de um perigo iminente.

Por exemplo, um leão que quer devorar seu filho de 6 anos, provavelmente, nessa situação, um pai ou mãe, se colocaria na frente desse leão, fazendo um sacrifício pra salvar o filho. Esse tipo de sacrifício (um ato imediato) só é possível se for guiado por emoções fortes. Pensar demora um tempo, e o leão já teria devorado seu filho durante o seu pensamento, e teria devorado você depois.

O comportamento emocional é assim, faz os atos serem imediatos. Pois numa situação que exige uma resposta rápida, o pensamento racional retardaria essa resposta, e isso poderia custar a sua vida, ou a vida de entes queridos.

E as emoções ruins? Como a tristeza? qual a utilidade delas? Eu fiz um post no blog sobre isso.

A utilidade das emoções está nessa capacidade que ela tem de preservar a raça humana, ao longo da evolução.

John Locke: Por que o homem escolhe viver em uma sociedade política?

No livro O segundo tratado sobre o Governo Civil, John Locke aborda os motivos que levam o homem a viver em sociedade e a escolher viver em um Estado.

Nessa parte, das razões do homem fazer isso, ele não difere tanto do que Thomas Hobbes fala, mas essa diferença existe. E ela está na forma que ele separa o homem em estado de natureza e em estado de guerra. Hobbes diz que o homem fora da sociedade, está sempre em estado de guerra. Mas para Locke, o homem na natureza só está em estado de guerra quando entra em disputas, e o estado de natureza é o homem vivendo sem leis, sem garantias de justiça e da propriedade de bens.

sociedade

Fonte da imagem: Curso de educação física – UNEB

Como no estado de natureza, o homem não possui garantias, e o julgamento humano no caso de uma controvérsia, costuma ser parcial. E existem indivíduos que se corrompem e cometem abusos e praticam crimes. Sem um Estado, com leis estabelecidas, existe o problema de como punir esse indivíduo, e quando a punição for aplicada ela deveria ser justa, mas os homens por causa de sentimentos de vingança, raiva etc costumam aplicar uma punição excessiva.

Então pra Locke e Hobbes os homens se unem em sociedade e escolhem viver sob a tutela de um governo para garantir sua própria preservação e ter uma convivência pacífica. Hobbes foca mais na parte pacífica e Locke na preservação do homem e seus bens.

É bom saber….

John Locke e Thomas Hobbes não definem o homem como sendo um ser mal e perverso por natureza. Eles são realistas quanto ao homem e seu comportamento, sabem que os humanos tem defeitos, que muitas vezes agem de acordo com interesses particulares, e podem ser corrompidos.

Os dois filósofos falam sobre Justiça, e não teria sentido eles falarem sobre esse assunto se considerassem que todos os homens são ruins e incontroláveis. Pois se assim fosse, não teria como criar um sistema de leis justas (mal e justiça é como ter ira e moderação ao mesmo tempo), e se todos fossem ruins por natureza, como acharíamos um juiz ou magistrado? Na verdade, nunca sairíamos do estado de guerra pra formar uma sociedade.

E é por isso que eu não estou usando o filósofo Rousseau para contra argumentar Thomas Hobbes. Porque aquela história de que o homem é bom por natureza e a sociedade que corrompe, não é realista.

E hoje em dia sabemos (através de estudos da psicologia e o avanço na área da psiquiatria) que não existe um homem totalmente bom ou totalmente mal (exceto psicopatas e sociopatas, mas Hobbes exclui eles do livro Leviatã quando diz que não consegue conceber alguém que sinta prazer na crueldade, ou seja, o psicopata).

A mente humana é muito complexa.

Claro que no futuro falarei sobre o filósofo iluminista Rousseau (assim que eu achar o livro dele que eu perdi).