Henry Siddons Mowbray e a Arte Orientalista

Henry Siddons Mowbray nasceu no ano de 1858 em Alexandria no Egito. O Mowbray é considerado um artista orientalista americano, se tornando um grande nome nesse movimento artístico. O artista foi um grande professor de arte, Mowbray lecionava na Art Students League of New York. Além de ter sido nomeado diretor da Academia Americana em Roma. Mowbray também virou membro da Society of American Artists.

O artista perdeu seu pai muito cedo e sua mãe quando ainda era uma criança. Henry foi morar, então, com seus tios na cidade de North Adams no estado de Massachusetts nos Estados Unidos. Mowbray demonstrou talento para as artes por isso passou a estudar técnicas artísticas com o pintor americano Alfred Cornelius Howland. Henry Mowbray decidiu se mudar para Paris em busca de um melhor treinamento artístico, na capital da França o artista estudou no ateliê de Léon Bonnat, um professor que lecionava na Escola de Belas Artes de Paris. Bonnat é conhecido por sua pintura chamada de Garota Romana em uma Fonte.

Garota Romana em uma Fonte, Léon Bonnat.

Garota Romana em uma Fonte é uma pintura que pode ser colocada no movimento artístico do realismo com traços fortes do neoclassicismo acadêmico. A imagem da menina é muito polida, sendo um pouco artificial, além do tom do céu que aparece do lado esquerdo, são característicos da pintura acadêmica. Por outro lado, a menina numa fonte, na ponta dos pés, numa pose com aparência mais realista, e a própria fonte ter sinais do tempo, isso é uma característica do realismo.

Ainda em Paris, Mowbray participou de algumas aulas de Jean-Léon Gérôme. Com esse artista, Henry Mowbray aprendeu o orientalismo, uma espécie de interesse pelas coisas que vem do Oriente e incorporar isso nas obras de arte. Uma das obras orientalistas de Jean-Léon Gérôme se chama Bonaparte em frente à Esfinge.

Bonaparte em frente à Esfinge, Jean-Léon Gérôme.

Bonaparte em frente à Esfinge é uma pintura acadêmica. Gérôme retratou nessa obra uma de suas viagens que ele fez ao Egito, quando ele visitou os monumentos do Antigo Egito, como a famosa Esfinge do Egito. Os pintores acadêmicos se dedicavam a pintar uma obra perfeita de uma realidade idealizada, que eles viam como perfeita, até mesmo o nariz quebrado da Esfinge.

Mowbray fez pinturas orientalistas Colheita de Rosas que está na imagem a seguir:

Colheita de Rosas, Henry Siddons Mowbray.

Colheita de Rosas é uma pintura que mostra cinco pessoas vestindo trajes típicos da Turquia no século XIX. Essa obra de Mowbray possui características da arte acadêmica com algum toque de impressionismo por causa da escolha da paleta de cores. A pele das mulheres na pintura são mais homogêneas, como se fossem perfeitas, quase de cera, como nas pinturas de Léon Bonnat, por isso, essa obra de Mowbray pode ser considerada uma pintura acadêmica. O orientalismo está nos detalhes, como no homem de barba que está mais ao fundo da imagem, o vaso que aparece no meio das flores, e a roupa das pessoas retratadas nessa obra.

Com Jean-Léon Gérôme e Léon Bonnat o artista também aprendeu a pintar ambientes internos como podemos ver em sua pintura chamada de Almoço no Estúdio.

Almoço no Estúdio, Henry Siddons Mowbray.

Almoço no Estúdio é uma pintura acadêmica que apresenta características como a idealização dos possíveis defeitos das duas figuras humanas que aparecem na obra, especialmente a mulher que aparece de frente para a pintura e possui uma pele sem imperfeição. Os objetos e o interior desse ambiente também mostra certa perfeição pois nada aparece quebrado, manchado, até a bagunça é calculada.

Uma outra pintura orientalista do artista se chama Horas Ociosas.

Horas Ociosas, Henry Siddons Mowbray.

Horas Ociosas é considerada uma obra orientalista pois os elementos dessa pintura remetem ao Oriente como os trajes das mulheres, os móveis, os acessórios como o leque segurado por uma delas. Mowbray escolheu uma paleta de cores quentes como o vermelho e laranja, misturou com as cores bordô e o rosa claro das flores. Assim como em suas outras pinturas, o artista também pintou uma pele perfeita nas duas mulheres e um ambiente calculadamente bagunçado.

Além dessas pinturas orientalistas, Henry Mowbray também foi contratado para pintar uma série de murais com as musas da pintura, da música, da eletricidade e da comédia. Na imagem a seguir está a musa da pintura.

Musa da Pintura.

Os quatro murais confeccionados por Henry Siddons Mowbray estão na galeria de arte da Universidade de Yale atualmente. Os outros murais seguem a mesma delicadeza do que está na imagem acima e pode ser visto no link abaixo.

Harry Siddons Mowbray morreu no ano de 1928.

**Importante! O orientalismo e as referências as coisas do oriente nessa época (século XIX) eram muito superficiais e muitas vezes as visões dos artistas chegavam a ser caricatas e preconceituosas. Não havia consciência sobre respeito a outras culturas e etnias, era o momento anterior a Primeira Guerra Mundial, da hegemonia europeia sobre o mundo, e a rivalidade entre os países europeus que culminou nesse grande conflito.

Estamos falando de um momento bem diferente de hoje. Mas eu só estou mostrando como era o pensamento do artista e das pessoas dessa época, nunca podemos esquecer do passado, ou ele sempre vai se repetir. E é sempre bom saber o que está por trás daquela obra de arte tão linda que vemos nos museus, na televisão e na internet.

Imagens e Referências:

https://fr.wikipedia.org/wiki/Henry_Siddons_Mowbray

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