O retábulo de Ghent, um grande tesouro artístico

O retábulo de Ghent é uma das maiores obras de arte europeia que sobreviveram há passagem do tempo, esse retábulo é tido como um dos maiores tesouros que existe. Essa pintura é um políptico, ou seja, uma obra que foi pintada em sessões e painéis. Os artistas Hubert e Jan Van Eyck foram os responsáveis pela confecção desse retábulo.

Jan Van Eyck foi um dos grandes artistas que impulsionaram uma nova estética artística que ficou conhecida como arte primitivista holandesa, que se tornou no Renascimento do Norte. Os artistas holandeses influenciaram muito na arte dos renascentistas italianos, pois graças ao grande desenvolvimento econômico da região, a arte pode florescer e diversos comerciantes faziam encomendas a esses artistas. A Igreja Católica deixa de ser a única grande patrocinadora da arte e as grandes famílias de burgueses agora começam a comprar arte.

O retábulo de Ghent foi uma encomenda feita pelo comerciante Jodocus Vijd para a Catedral de São Bavo, Ghent. Muitos historiadores de arte consideram que a maior parte da pintura foi feita por Jan Van Eyck, e o seu irmão Hubert só ficou com uma pequena parte desse retábulo. Os historiadores também questionam se realmente o irmão de Jan Van Eyck participou da confecção dessa pintura, pois ele teria morrido uns anos antes da conclusão do retábulo.

Esta obra é diferente pois foi uma das poucas que foram feitas por Jan Van Eyck para a exposição pública, a maioria de suas encomendas eram para decorar as casas e capelas particulares. Essa obra tem um tamanho grande, tendo 3,4 m x 4,6 m.

O retábulo de Ghent, Jan Van Eyck e Hubert Van Eyck.

O retábulo possuí uma representação inspirada na arte bizantina no centro do painel, nas três imagens centrais, A Virgem Maria, Jesus Cristo e São João Batista. Ao redor dessas figuras é pintado um arco dourado:

Virgem Maria.

A imagem da Virgem Maria lembra um pouco as obras bizantinas em que a figura de uma mulher é retratada. A diferença que existe entre uma obra bizantina e a de Jan Van Eyck é o uso de perspectiva e contornos realistas, o artista conseguiu pintar um cabelo realista, a pele realista, além de dar volume à figura. O uso do tom dourado, quase meio alaranjado é algo que era utilizado na arte gótica internacional, com os detalhes e inscrições acima da cabeça da Virgem Maria.

Jesus Cristo é a figura central, que está entre a Virgem Maria e São João Batista.

Jesus Cristo.

Os historiadores de arte ainda debatem sobre se essa imagem seria de Jesus Cristo ou de Deus. A imagem possui realismo e Cristo está sentado com um grande manto vermelho e detalhes dourados em sua roupa, algo que era típico do gótico internacional, além dos brocados que estão atrás de Cristo. A representação de Jesus Cristo também lembra aquelas retratadas na arte bizantina.

Porém o detalhe que chama mais atenção e mostra uma grande evolução estética é a imagem dos Anjos, que está abaixo:

Detalhe: Anjos.

A grande novidade são as caretas feitas pelos anjos, pois demoraria mais de dois séculos até que a arte representasse as emoções humanas, na arte renascentista existe sempre a imagem da Madonna impassível que está com as feições tranquilas e os anjos não possuem emoção também seguem essa mesma expressão facial. A obra de Jan Van Eyck não pode ser colocada como barroca pois ainda não existe os contrastes dramáticos do barroco, mas a representação feita pelo artista, com o tom das cores, e o formato do rosto, serão muito utilizados pelos artistas renascentistas.

Também existe a representação de nu artístico na figura de Adão e Eva que estão nas laterais da imagem do retábulo.

Adão e Eva.

Uma representação assim, sobre Adão e Eva, também foi utilizada pelo artista Masaccio.

Ainda no ano de 1550 este retábulo passou por uma restauração que danificou uma parte da obra, essa pintura também correu risco de destruição por causa da Reforma Protestante que provocou uma grande onda de destruição de imagens religiosas, então, o retábulo foi retirado da capela.

Quando ocorreu a Revolução Francesa, o retábulo fez parte da pilhagem feita na Bélgica e a pintura acabou indo para Paris, mas foi devolvido à Bélgica após a famosa batalha de Waterloo. O retábulo também esteve em perigo durante a Primeira e Segunda Guerra Mundial chegando a ser armazenado numa usina de sal, algo que danificou muito o retábulo.

Graças a evolução tecnológica uma grande restauração pode ser feita no retábulo, recuperando setenta por cento do que havia sido danificado com o tempo. Esse trabalho começou feito em 2012 e ainda está em curso, e está sendo restaurada ainda nos dias de hoje.

Referências:

https://en.wikipedia.org/wiki/Ghent_Altarpiece

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