Beeldenstorm e a Intolerância Religiosa

O Beeldenstorm foram surtos de destruição de imagens que ocorreram no século XVI no contexto da Reforma Protestante na Holanda, está diretamente ligada a movimentos calvinistas. Esse evento também pode ser descrito como uma fúria iconoclasta, isto é, destruição de obras de arte em igrejas e lugares religiosos.

A história conta que os Huguenotes, calvinistas franceses que começaram esses eventos de destruição de símbolos religiosos. Na França havia uma resistência ativa dos católicos romanos contra os huguenotes calvinistas, a intolerância religiosas imperava nessa época, durante o século XVI, foi na França que ocorreu a terrível noite de São Bartolomeu que foi um grande massacre de uma multidão de católicos conta os protestantes Huguenotes. Supostamente a noite de São Bartolomeu foi orquestrada com a ajuda da Coroa Francesa. O artistaas François Dubois fez uma pintura histórica sobre a noite de São Bartolomeu, na imagem a baixo:

Noite de São Bartolomeu, François Dubois.

Enquanto em países como França, Espanha e Itália tinha uma maioria católica que os governantes queriam manter, em lugares onde começou e se espalhou a Reforma Protestante as pessoas se viam obrigadas a deixar o catolicismo e se converter ao protestantismo. Esses países foram principalmente a Alemanha, Suíça, Inglaterra e os países baixos.

Nessas regiões protestantes havia a prática de iconoclastia, pra destruir símbolos que não só eram religiosos mas que representavam outra religião, a Católica.

Os movimentos a favor da Reforma Protestante encontravam espaço nessas sociedades onde a religião católica não exercia tanta influência quanto antes, principalmente após o término das guerras medievais. OS protestantes se reuniam para fazer pregações ao ar livre;

Sermões ao ar livre.

No final da festa de São Lourenço no ano de 1566 houve uma grande peregrinação que culminou no ataque à uma pequena capela, o movimento de destruição se espalhou por aí e cada vez mais igrejas e em algumas regiões os religiosos responsáveis pela capela ou igreja eram mortos.

Essas grandes ondas destrutivas foram tomando conta dos lugares, chegando à Amsterdã, e a região Flandres, a Catedral de Nossa Senhora que fica na Antuérpia, destruindo praticamente a maioria das obras de arte que existiam nesse local.

Alguns historiadores encontraram relatos de que entre esses iconoclastas havia diversas pessoas alcoolizadas e que essas ondas de destruição eram consideradas como se fosse uma festa de carnaval. Porém existiam pessoas que levaram essa iconoclastia como uma missão a ser cumprida fazendo um trabalho árduo, era até mesmo tocado um sino que indicava o início dos trabalhos diários.

Além da destruição de imagens, houve a destruição de livros e bibliotecas inteiras, também ocorriam saques nas casas dos religiosos e clérigos. A fachada externa de igrejas, praças e outros lugares públicos em que haviam obras de arte religiosas também foram atacadas.

Destrução de imanges por iconoclastas.

Nos países baixos, a iconoclastia começou primeiro na região sul e depois foi se espalhando para a região norte. Essa destruição também aconteceu na região de Ghent, um importante centro artístico. Esse grande ataque significou em grandes perdas de obras de arte, principalmente onde havia um grande comércio que patrocinava a arte.

Algumas pessoas buscaram colocar a culpa em religiosos católicos dizendo que eles instigaram essa grande onda iconoclasta promovidas pelos protestantes da região.

A aristocracia e a nobreza ordenavam a limpeza de suas próprias capelas e igrejas particulares. Teve pessoas que se aproveitaram da iconoclastia para pilhar e vender esses objetos roubados no mercado paralelo de obras de arte. Algumas pinturas e estátuas sobreviveram assim, não foram destruídas mas vendidas. Algumas vezes o religioso responsável por alguma igreja, ouvindo relatos de outras regiões mandava retirar as obras de arte da própria e igreja e esconder, como uma forma de proteger a arte dessa destruição toda.

Saque da Igreja por calvinistas em Lyon.

Na imagem acima está representada como seriam os saques cometidos por calvinistas durante esse período de iconoclastia.

Para conseguir acabar com essa grande onda destrutiva de iconoclastas os governantes decidiram fazer um acordo com os calvinistas permitindo que praticassem sua religião desde que também deixassem os católicos praticarem sua religião. Na Antuérpia, apesar dos acordos, algumas pessoas tinham resistência com a ideia de deixar uma parte da população, chamada de herege, praticar sua religião.

Graças a esses ataques a Igrejas Católicas, isso precipitou um novo movimento artístico patrocinado pela Igreja e conhecido pelo nome de Barroco. Essas obras barrocas foram as substitutas das antigas obras medievais destruídas pelo movimento iconoclasta protestante.

Infelizmente esses conflitos entre Católicos e Protestantes continuam até hoje, principalmente no Reino Unido e Escócia.

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