Bartholomeus Spranger e o Maneirismo do Norte

Bartholomeus Spranger nasceu no ano de 1546 na Antuérpia, uma cidade belga da região flamenga. O artista fez parte do movimento artístico chamado de Maneirismo do Norte. Spranger trabalhou na corte do Imperador do Sacro Império Romano Germânico, Rodolfo II. O pintor praticamente desenvolveu a corrente artística que foi chamada de Maneirismo do Norte, graças a sua estadia em Roma, que estavam passando pela evolução estética do Renascimento.

O artista era filho de um comerciante que viajava para diversos lugares, inclusive para Roma. Spranger demonstrou interesse e habilidade para desenho. O artista trabalhou em diversos ateliês de vários artistas renomados, e foi assistente de pintores como Bernardino Gatti. Spranger ajudou Gatti a pintar a cúpula da igreja Santuário de Santa Maria della Steccata.

Em Roma, Bartholomeus Spranger era assistente de Giulio Clovio. Devido a isso, Spranger acabou se tornando o pintor da corte do Papa Pio V, e depois do Sacro Imperador Romano Germânico, Maximiliano II, e depois da morte deste, do Imperador Rodolfo II.

Spranger pintava muitas obras com temas da mitologia greco-romana, como podemos ver em Angelica e Medoro.

Angelica e Medoro, Bartholomeus Spranger. (Wikimedia Commons)

Angelica e Medoro é uma pintura com características maneiristas. Spranger havia se mudado para Roma onde o Renascimento estava evoluindo esteticamente, então as figuras estavam começando a ficar cada vez mais contorcidas, e perdendo um pouco de suas proporções, o rosto dos personagens retratados na pintura estavam começando a ter expressões faciais, o fundo começava a ficar cada vez mais escuro; as representações greco-romanas estavam dando lugar as religiosas. Os corpos dos personagens estavam ganhando as formas dos deuses gregos.

Outra pintura com temas mitológicos se chama Glauco e Cila.

Glauco e Cila, Bartholomeus Spranger. (Wikimedia Commons)

Glauco e Cila é uma pintura que retrata a historia de uma criatura marinha, que antes era um homem, que passou a perseguir uma ninfa chamada Cila. Na pintura Spranger mostra como Glauco era um homem desesperado pela atenção de uma bela ninfa, que aparece com um rosto bonito de ninfa. As figuras retratadas por Spranger são um pouco idealizadas, mas não fogem do que seria a história, um caso greco-romano de a Bela e a Fera. O maneirismo nessa pintura está na representação de corpos de deuses gregos.

O artista gostava de retratar temas de história greco-romana em que apareciam casais em alguma situação dramática, como é o caso da pintura Ulisses e Circe.

Ulisses e Circe, Bartholomeus Spranger. (Wikimedia Commons)

Ulisses e Circe é uma pintura que fala sobre a história do herói Ulisses que acabou desembarcam numa ilha onde encontram Circe, uma feiticeira que transformou seus tripulantes em animais e Ulisses foi confrontar a deusa para salvar seus companheiros. Spranger mostra esse momento da história. Escolher o ápice de uma narrativa é uma característica da pintura barroca, que é o movimento artístico que vem depois do maneirismo. Na pintura de Spranger vemos características barrocas como os contrastes fortes, o uso da luz e da sombra, a paleta de cores que cria um cenário sombrio e ao mesmo tempo colorido, a famosa oposição provocada pelo barroco também vemos nessa obra.

Spranger também fez outros tipos de temática inspiradas na mitologia greco-romana como A Vitória de Minerva sobre a Ignorância.

A Vitória de Minerva sobre a Ignorância, Bartholomeus Spranger. (Wikimedia Commons)

A Vitória de Minerva sobre a Ignorância dessa vez mostra uma narrativa diferente das outras pinturas que eu mostrei aqui, nesta pintura não existe uma história greco-romana ao estilo Bela e a Fera; Minerva aparece vitoriosa e o artista retrata isso usando a estética da corrente artística do maneirismo. Podemos ver que existe algumas figuras alongadas, os bebês querubins que aparecem nessa pintura também são um elemento da pintura maneirista, além do famoso fundo preto característico desse movimento artístico. Também temos os corpos esculturais dos deuses greco-romanos, algo que começou a ser utilizado por Michelangelo quando ele pintou afrescos na Capela Sistina, uma tendência que outros artistas posteriores a ele irão seguir.

Na pintura a seguir, Apolo e as Musas, o artista utiliza a moda da época, e as pessoas que estão a seu redor para colocar nessa pintura. Ainda vemos a figura de um deus grego, mas as mulheres que estão representadas usam trajes daquele período. Seu Maneirismo do Norte, aos poucos vai ganhando firmeza e personalidade.

Apolo e as Musas, Bartholomeus Spranger.

O artista foi um grande amigo do Sacro Imperador Romano Germânico, Rodolfo II, e aceitou muitas encomendas do monarca. Foram os trabalhos para o Imperador que fizeram com que Spranger tivesse muito sucesso em sua época. Além desse detalhe sobre sua vida. O artista foi uma grande influência para os pintores holandeses que vieram depois.

Bartholomeus Spranger morreu no ano de 1611.

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