A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 na França era somente para os homens?

Mais de 230 anos após a famosa Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 na França da Revolução Francesa ainda não é muito claro para alguns, principalmente para os que não são franceses, qual era a extensão desta declaração, se ela era para os homens ou para a humanidade. Em pleno século 18 ainda não existia isso de homem ser igual a humanidade, o que incluiria as mulheres. Porém existem mais argumentos sobre isto ser algo somente para os homens. Longe dessa discussão sobre feminismo e a estrutura patriarcal que tanto falam existem fatos históricos que mostram qual era o papel da mulher na Revolução Francesa. Vamos a eles então:

É inegável a participação das mulheres na Revolução Francesa, pois foram em espaços organizados por mulheres, que eram frequentados por ambos os sexos, que permitiram que se criasse toda a ideologia que libertaria a França de uma monarquia sanguessuga, ineficiente, e que havia atrasado a inclusão da França na revolução industrial que estava a todo o vapor na Inglaterra.

As mulheres participaram ativamente dos processos que levaram a Revolução e a derrubada do rei. Um dos episódios mais famosos é a marcha das mulheres.

Marcha das Mulheres

Este episódio aconteceu nos dias 5 e 6 de outubro do ano de 1789, é considera um dos grandes dias da Revolução. Desde a época do reinado de Luís XIV, o famoso rei Sol, a corte francesa se mudou para o suntuoso palácio de Versalhes. Os franceses achavam que devido a moradia da monarquia ser longe da capital de Paris, o rei e a rainha ficavam a parte do que acontecia com a população.

Palácio de Versalhes.

Todos sabem que Luís XVI era considerado um rei fraco e muito influenciável, que tomou medidas tardias para responder a grande insatisfação, e sua corte totalmente alheia a realidade gastava dinheiro em festas, banquetes e jogos de azar, tudo isso bancado pelo terceiro estado, ou seja, quem não era nobre ou parte do clero. Havia uma grande crise alimentícia provocada pela falta de pão, é neste contexto que a rainha Maria Antonieta teria supostamente dito que se o povo não tinha pão que eles comessem brioches.

Luís XVI.

Na manhã do dia 5 de outubro começa um comício em frente à Câmara Municipal de Paris, o revolucionário La Fayette discursa em frente a uma grande multidão, de maioria composta por mulheres. que se forma em frente ao edifício falando que as demandas do povo deveriam ser levadas diretamente ao rei, que se encontrava no palácio de Versalhes. Acontece um tumulto terminando com a câmara sendo invadida e mais de seiscentas armas guardadas no prédio foram confiscadas pelos invasores.

Ilustração da Marcha das Mulheres.

Uma grande procissão em direção à Versalhes se forma, a maioria dos participantes dessa caminhada até a moradia do rei é composta por mulheres e também pela guarda nacional. O trajeto de Paris até Versalhes dura mais ou menos cinco horas. Claro que este grupo chega cansado e acampa em frente ao palácio para descansar.

O maior objetivo deste grupo é pedir ao rei medidas urgentes para resolver o problema da escassez de pão em Paris. O rei delibera durante dez horas com seu conselho e decide mandar carros de pão à Paris. Mas no meio dessa multidão começam a surgir desentendimentos, apesar do rei atender aos pedidos deste grupo, na noite do dia 6 de outubro, o palácio de Versalhes é invadido por uma turba de mulheres e membros da guarda nacional revoltados.

Maria Antonieta.

Em resumo, este grupo invasor foi assassinando e linchando as pessoas que ficaram no caminho, a própria Maria Antonieta e o Rei Luís XVI foram salvos por causa de caminhos secretos que existiam no palácio. O rei então se dispõe a ir para Paris junto com a rainha, e eles são escoltados à capital por uma multidão de trinta mil pessoas.

Este evento protagonizado pelas mulheres foi decisivo para a Revolução Francesa.

Clube das Mulheres Patrióticas

Sociedade Patriótica e de Caridade dos Amigos da Verdade, ou mais conhecido como o clube das mulheres patrióticas, este clube foi criado pela revolucionária Etta Palm d’Aelders. Uma das reivindicações desse grupo era a participação das mulheres na guarda nacional.

Clube das mulheres patrióticas.

Ao contrário do que algumas pessoas pensam, as mulheres participantes da Revolução Francesa queriam compartilhar com os homens os mesmos direitos, tanto a fazer trabalhos pesados quanto a participar da guarda, pegando em armas e indo para o campo de batalhas. Além de também quere o direito a educação das mulheres. Porém o presidente da Assembleia julgou inadmissível a reinvindicação destas mulheres.

Declaração dos direitos das mulheres e dos cidadãos

Foi uma declaração escrita por Olympes de Gouges em resposta à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. Gouges substituiu as palavras homem por homens e mulheres, e foi publicado no Les Droits de la femme dirigido à rainha Maria Antonieta.

Retrato de Olympes de Gouges.

Olympes de Gouges escreve sobre os direitos das mulheres, que elas também nascem livres, possuem direitos e devem responder à lei e a justiça assim como os homens. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 não tinha sentido de homem como humanidade (que incluiria homens e mulheres), infelizmente, apesar das mulheres terem participado do processo revolucionário, foram deixados de fora quando tudo foi tornado oficial.

Na Wikipedia francesa, existe um resumo sobre essa declaração escrita por Olympes de Gouges e também links externos com o documento completo que foi escrito por Gorges, está no link abaixo: https://fr.wikipedia.org/wiki/Déclaration_des_droits_de_la_femme_et_de_la_citoyenne

Graças à evolução dos tradutores automáticos, principalmente o do Google*, que traduz praticamente todas as línguas, desde o coreano até o francês, nós podemos ter acesso a história sobre como foi realmente a Revolução Francesa, quais foram seus atores e os detalhes sem passar pelo filtro de alguma pessoa que é brasileiro e sabe falar francês, por exemplo.

*Quem tem o Chrome é só utilizar a ferramenta de tradução automática.

3 comentários em “A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 na França era somente para os homens?

  1. I appreciate all the effort you put into your posts! We do need to remember that the translations tools are not perfect. My friend and Co-Author Patricia posted a poem in Spanish and English called “Crow’s Feet” but the Google translator used “hen” instead of “crow.” Two very different birds and different representations in a poem.

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    1. This question it’s not about mistranslation. It’s about misinformation, because It’s made for and to man and not to humanity. Woman was put aside, after all the revolution process. This Knowoledge was not availabe before, because the language barrier. I’ve read about this matter in portuguese, and they are denying that it was about man right and not human right. But reading the french source It is cleary that woman was cast out when the right and law was become official in the revolution process. But the translation tolos are became better, It can translate korean, french, romanian, spanish, italian, direct to portuguese. Only japanese I have to use english to translate.

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