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Justiça X Vingança e o Gumball

Eu poderia falar sobre como Justiça e vingança são diferentes, usando os argumentos de Thomas Hobbes e John Locke. Mas vou falar sobre isso usando o desenho “Gumball”.

Gumball ou “O Incrível mundo de Gumball”, é uma série de desenho animado exibido pelo Cartoon Network. Fala sobre a história da família Watterson, e o universo de Gumball é todo estilizado, o personagem gumball é um gato azul de 12 anos,  ele tem um irmão adotivo que é peixe e o nome dele é Darwin, uma irmã mais nova que é uma coelha super dotada, além de sua mãe, pai, professores, colegas de aula.

Enfim, Gumball a primeira vista poderia ser visto como um desenho puramente infantil, mas ele não é, ele aborda várias questões da vida, e dá lições filosóficas, tudo isso acontece em torno da teimosia do personagem Gumball e da ajuda e conselhos do Darwin.

gumbal

Por que estou falando de Gumball pra falar sobre a diferença de justiça e vingança?

Porque [só vou falar spoiler a partir de agora, se continuar é por sua conta] existe um episódio que o Darwin empresta uma caneta a um colega de classe, e ele acaba devolvendo a caneta com a tampa mastigada.

Aí o Gumball já diz que isso que aconteceu foi uma injustiça, e o Darwin pergunta se ele não poderia deixar pra lá ou resolver tudo na paz, mas o Gumball logo descarta a ideia dizendo que ele poderia faz isso, mas que não seria “justiça”.

Esse colega volta a classe e os dois, Darwin e Gumball estão querendo justiça, enquanto o colega não percebe nada.

No meio dessa história, em busca de justiça (que na verdade fica claro que é vingança) eles pedem uma cola emprestada desse colega (Joe Banana) e devolvem ela cheia de furos. E isso faz com que o Joe Banana use essa cola cheia de furos, e fique colado e ele acaba escorregando e vai parar na enfermaria.

O Joe banana conta a quem emprestou a cola cheia de furos, e os dois, Darwin e Gumball são levados ao conselheiro da escola (se não to misturando os episódios, ou a ordem). Mesmo depois do Joe ter ido pra enfermaria, e eles levado bronca, eles não desistem de buscar a justiça pela caneta mascada.

Daí eles decidem invadir o armário do Joe Banana,  encontram uma caneta e resolvem morder ela. Um pouco depois o Joe Banana aparece pra eles, e dá uma caneta nova, porque a antiga que eles emprestaram estava mascada, e que ele esperava que isso resolvesse o problema.

Mas os dois já tinham feito besteira mascando uma caneta do Joe Banana que acharam no armário que eles invadiram. E caem na real: “A gente exagerou, tomara que ele não descubra a história do armário”, um diz pro outro.

Nesse meio tempo o Joe Banana fala que ele possui guardada no armário uma caneta que foi herdade pela família, e que ele sabia como o Darwin se sentia pela caneta estragada, já que ele ficaria irado se estragassem a caneta dele. Ou seja… F%$#@…. rola a maior confusão, e no final da história o Gumball tira do bolso uma caneta mascada, e aí diz pro Darwin “Foi mal, acho que fui eu que masquei sua caneta”.

A moral desse episódio: é muito fácil exagerar na busca por “Justiça”, que pode virar vingança (que é uma reação exagerada e muito mais violenta que o ato que pede “justiça” ou reparação). E como não existe juiz imparcial, e o Gumball é movido por emoções e preconceitos. A coisa degringola…. e ao tentar fazer justiça com as próprias mãos eles acabam exagerando e cometendo uma injustiça.

Afinal, mascar a caneta hereditária do Joe Banana, invadindo o armário dele, é muito pior do que supostamente entregar uma caneta que foi emprestada só que entregue mascada.

E é mais ou menos isso que os filósofos argumentam, que a justiça com as próprias mãos pode levar a um exagero e a mais violência.

*Os direitos de imagem e reprodução dos episódios de Gumball são da Cartoon Network. Além da publicidade involuntária desse desenho, eu recomendo que assistam os outros episódios, porque eles passam as coisas de forma leve, divertida e ao mesmo tempo promovem reflexão.

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Perdão…

justi1Essa é uma palavra fácil de dizer mas difícil de por em pratica. O que é o perdão? Não fazer nada? Não, o perdão é deixar toda a raiva e magoa irem embora, se libertar do mal que alguém te causou e deixar o destino dessa pessoa “pra lá”.

Parece o mesmo que deixar alguém sair impune, não é? Não, porque a justiça verdadeira não pode ser posta em pratica por nós, as vítimas. A justiça é uma mulher vendada sentada numa cadeira, com uma espada numa mão e uma balança em outra.

Por que essa é a imagem da Justiça? Ela tem vendas pois seu julgamento é imparcial, a balança serve pra equilibrar a culpa do ato e a punição no mesmo peso. E a espada representa o poder de punir, e está levantada para mostrar que todos estão sujeitos ao poder da justiça. E por que é uma mulher?

Julgar atos é analisar emoções, atenuantes, agravantes, não pode ser fria em relação às causas e motivos, nem ignorar situações. E quem entende melhor de emoções e motivos do que a mulher?

Perdoar é um ato de libertação e está separado da Justiça pois as vítimas não são imparciais.

A justiça deve ser imparcial pois senão vira vinganca, e a vinganca tende a inflingir um castigo maior do que é justo e isso não é a mesma coisa que virar a pessoa que nos causou mal? Não somos mais vítimas nessa situação e sim infratores. E Viramos réus, até mesmo se for o contrário, dar um castigo menor que o justo, eh ser injusto e portanto virar um infrator.

O desequilíbrio na balança da justiça cria conflito e só o equilíbrio da justiça pode trazer a paz. E como a justiça corrigirá o mal causado e trará a paz, por que ficar remoendo algo que já passou e que você não será o juiz que punirá a pessoa e nem o agente que restaurará o equilíbrio?

Perdoar não é abrir mão da justiça, é libertar a mente.

*Imagem retirada do Pinterest.

**O assunto perdão e justiça são muito longos, farei mais postagens sobre o assunto.