Andrea Mantegna, um renascentista com uma boa perspectiva

Andrea Mantegna nasceu no ano de 1431 em Isola di Carturo, na República da Veneza, perto de Pádua (Itália). O artista faz parte do início do movimento artístico do Renascimento, encerrando de vez com o estilo artístico do gótico internacional. Mantegna também inovou ao utilizar uma perspectiva diferente de outros artistas renascentistas para criar um efeito conhecido como Trompe-l’œil, ou seja, um efeito que parece que a pintura faz parte do cenário a sua volta, seja uma igreja, uma parede, uma rua.

O artista era filho de um carpinteiro e quando ainda era criança virou um aprendiz do pintor Francesco Squarcione, o qual deixou quando completou dezessete anos. Assim como vários artistas italianos, Andrea Mantegna começou aceitando encomendas para decorar uma igreja. Um de seus trabalhos, feito por volta do ano de 1455-60 foi o Retábulo de Zeno, um tríptico que se encontra na Basilica di San Zeno, Verona, e está na imagem abaixo:

Retábulo de Zeno, Andrea Mantegna. (Wikimedia Commons/Domínio Público)

Em algumas das imagens das imagens desse retábulo, principalmente nas imagens das predelas (as três imagens menos que se encontram embaixo) Mantegna usa a perspectiva de atalho, ou seja, ele rebaixa a linha da perspectiva pra fazer as imagens parecerem monumentais. Uma das predelas se encontra na imagem abaixo e se chama A Agonia do Jardim.

Full title: The Agony in the Garden Artist: Andrea Mantegna Date made: about 1458-60 Source: http://www.nationalgalleryimages.co.uk/ Contact: picture.library@nationalgallery.co.uk Copyright © The National Gallery, London

Agonia do Jardim apresenta esse rebaixamento da linha do horizonte, você vê as figuras próximas relativamente muito maiores que as distantes. Além do uso da perspectiva, temos como característica da pintura renascentista o volume das figuras humanas representadas na pintura, a pintura de um cenário mais realista do que seria representado no gótico internacional, com menos decorações, cores mais simples, o não uso das cores como o ouro. Também vemos a utilização de elementos de paisagem, algo que era raro nas obras de arte da Idade Média

Outra pintura de Andrea Mantegna chama a atenção, mas não por alguma técnica inovadora, e sim pelo tema escolhido, Judith com a cabeça de Holofernes.

Judith com a cabeça de Holofernes, Andrea Mantegna. (Wikimedia Commons/Domínio Público)

Judith com a cabeça de Holofernes essa pintura chama a atenção pelo tema pois não é comum achar uma obra renascentista que retrate esse assunto, mas é muito comum nas pinturas barrocas, sendo muito interessante ver a diferença de tratamento entre o renascimento e o barroco. Primeiro, na pintura renascentista esse evento não é retratado de maneira tão explícita, parece até ser algo feito escondido, pelo olhar da Judith e o criado ao fundo, o jeito que ela olha, e como entrega a cabeça, tipo, “não olhem pra mim”. No Barroco a cena é completamente explícita, sai sangue, a faca está no pescoço, é uma cena de terror. Mas é de se esperar que essas duas correntes artísticas produzam dois tipos de imagens diferentes.

A arte renascentista trouxe a representação de diversas Madonnas, quase todos os pintores renascentistas tiveram suas Madonnas, Andrea Mantegna também pintou uma que se chama A Madonna da Pedreira.

A Madonna da Pedreira, Andrea Mantegna. (Wikimedia Commons/Domínio Público)

A Madonna da Pedreira é uma pintura renascentista que Andrea Mantegna aplica sua fórmula de perspectiva de atalho, sendo possível perceber isso vendo o abaixamento da linha da perspectiva, em que o artista olha de baixo para cima, para tornar a imagem maior. Esse tipo de técnica também é usado para dar mais altura a uma pessoa, como nas obras que retratavam Napoleão, que pintavam o Imperador de baixo para cima, já que o General tinha baixa estatura.

A figura da Virgem Maria com o Menino Jesus pintado por Andrea Mantegna em Madonna da Pedreira, é a típica imagem da chamada Madonna entronizada, quando ela está sentada com o bebê Cristo servindo pra mostrar que ele é um ser divino. Nessa pintura temos uma aproximação mais realista da paisagem, com uma rocha mais detalhada, a representação de um céu com nuvens, a imagem de Maria e Jesus Cristo são proporcionais e apresentam volume, assim como o restante da paisagem.

Outra pintura famosa de Andrea Mantegna se chama São Sebastião, na verdade, são três imagens, mas vou mostrar somente uma.

São Sebastião, Andrea Mantegna. (Wikimedia Commons/Domínio Público)

Nos anos de 1400-1500 d.C a Europa, e principalmente a região da Itália viva uma época difícil, com uma epidemia que os cientistas acham que foi causada por uma bactéria mas não era a peste negra, que deixava aquelas bolas pretas, os sintomas eram mais tosse e febre, por isso as pessoas achavam que a praga se transmitia pelo ar.

Então, no canto esquerdo da pintura, na parte de cima, onde aparece uma nuvem com formato um pouco estranho, tem a imagem de um homem em cima de um cavalo, que acredita-se ser um dos cavaleiros do apocalipse, e a outra nuvem seria a peste. E São Sebastião é um protetor contra a peste, por isso ele aparece flechado como um mártir.

Felizmente, apesar de toda essa epidemia que se transmitia pelo ar o artista não contraiu a Peste, Andrea Mantegna morreu no ano de 1506.

Imagens e Referências.

https://en.wikipedia.org/wiki/Andrea_Mantegna

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