Elisabetta Sirani, uma grande pintora italiana

Os artistas do barroco mais conhecidos são Rembrandt, Caravaggio, Peter Paul Rubens e Artemísia Gentileschi. As pintoras do barroco são menos conhecidas do que os artistas homens, com exceção de Artemísia Gentileschi. Existem artistas mulheres que fizeram parte dessa corrente artística do barroco e eram extremamente talentosas mas que acabaram não tendo a mesma fama do que outros artistas. Uma dessas mulheres habilidosas foi Elisabetta Sirani.

Elisabetta Sirani

Elisabetta Sirani nasceu no ano de 1638 em Bolonha na Itália. A artista fez parte do barroco e era filha de um pintor, Giovanni Andrea Sirani. Seu pai foi um artista que aprendeu com o famoso pintor Guido Reni, além de fazer parte da Escola da Bolonha. Podemos ver como era o estilo artístico de Giovanni Sirani na obra abaixo chamada de Rei Davi:

Rei Davi, Giovanni Sirani.

Em Rei Davi, Giovanni Sirani mostra que faz parte do estilo artístico do barroco, tanto pelo uso de fortes contrastes, quanto pela escolha do fundo da pintura, além de ser bastante detalhista e realista em relação a tudo que aparece no cenário, como as roupas do Rei, a expressão facial mostram características do barroco.

Sua filha, Elisabetta Sirani aprendeu com o pai a pintar, embora a história acredite que Giovanni foi resistente à habilidade de sua filha, se recusando a ensiná-la, mas graças a insistência de Elisabetta, Giovanni acabou ensinando técnicas artísticas à Elisabetta.

O grande talento de Elisabetta acabou chamando a atenção e ofuscando o seu pai em relação â pintura. Algumas pessoas pensavam que a artista era a reencarnação feminina de Guido Reni. Elisabetta também pintou madonnas como os artistas renascentistas.

Madonna, Elisabetta Sirani.

Na pintura acima vemos que a artista domina bem as técnicas do barroco, imprimindo certa realidade e drama na cena da Virgem Maria e o menino Jesus. O fundo da cena é mais detalhistas do que um confortável fundo preto. A Virgem tem uma expressão muito maternal e uma pose que mostra que ela está cuidando bem da criança. Existe também o domínio do claro-escuro, e o uso do sfumato no rosto da Madonna.

O historiador de arte Carlo Cesare Malvasia foi um dos responsáveis por escrever a biografia de Elisabetta, Malvasia levou o crédito por ter conseguido convencer o pai de Elisabetta a ensiná-la. Seu pai começou a ficar velho e doente, então, Elisabetta Sirani começou a comandar o ateliê da família.

A artista pintava temas históricos, alegóricos e bíblicos, uma de suas pinturas com temática bíblica se chama A descoberta de Moisés.

A descoberta de Moisés, Elisabetta Sirani.

Em A descoberta de Moisés a artista imprime uma cena dramática, Elisabetta deve ter se usado como a modelo da pintura pois dois rostos são muito parecidos com o autorretrato da artista. Talvez fosse difícil para uma mulher conseguir modelos para pintura. Nessa cena composta pela artista vemos o mesmo dramatismo de Caravaggio, mostrando um dos momentos cruciais na história bíblica de Moisés, que é quando ele é tirado do rio e entregue à filha do Faraó. Ela utiliza o jogo de claro e escuro muito bem e também mostra aquela luz de palco que coloca as pessoas em planos de atenção diferentes.

Elisabetta Sirani também fez um autorretrato chamado de alegoria da pintura:

Autorretrato, Elisabetta Sirani.

Além de ter sido uma pintora de sucesso, Elisabetta Sirani também era uma professora de artistas, ensinando suas técnicas artísticas no estúdio de sua família. Elisabetta ensinava a homens e mulheres, se tornando uma das primeiras artistas a ensinar mulheres fora de um convento na Europa.

Uma de suas pinturas foi escolhida como selo nos Estados Unidos, essa obra é a Virgem Maria e o menino Jesus, uma outra Madonna pintada pela artista:

Virgem Maria e o menino Jesus, Elisabetta Sirani.

Na pintura acima vemos um momento muito íntimo e maternal, mostrando a relação entre a Virgem Maria e seu bebê. As duas figuras tem um olhar afetuoso, com o bebê colocando a coroa de rosas em sua mãe, a Virgem Maria. Vemos o uso do sfumato combinado com contrastes marcantes, e o uso do fundo preto, que são as características de uma pintura barroca italiana. Elisabetta consegue mostrar os sentimentos da Virgem e o menino através do olhar trocado entre os dois.

Uma curiosidade sobre Elisabetta é que ela assinava suas pinturas, um costume que não era tão popular nessa época, os artistas raramente assinavam seus trabalhos. Os historiadores de arte acham que ela fez isso para que suas obras não fossem confundidas com a de seu pai.

Elisabetta Sirani morreu de repente no ano de 1665, após sentir fortes dores abdominais, alguns acham que sua morte na verdade foi um assassinato e que a artista foi envenenada. Na época as pessoas acharam que foram os servos de Elisabetta que a envenenaram. Também foi levantada a hipótese de suicídio. Foi feita uma autópsia no corpo de Elisabetta que mostraram que na verdade ela tinha uma úlcera e traços de arsênio, que estava na composição das tintas utilizadas no período.

Referências e imagens:

https://en.wikipedia.org/wiki/Elisabetta_Sirani

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