Honoré Daumier e o Realismo (pintura)

O Realismo é um movimento artístico que surgiu na França, no contexto das Revoluções de 1848, Essa corrente artística buscou ser uma oposição ao romantismo. O Realismo buscava retratar temas cotidianos, trabalhadores, mostrar como a Revolução Industrial e a tecnologia estavam alterando a paisagem.

O Romantismo era impresso nas obras de Eugène Delacroix, o movimento realista buscava se opor a estética de Delacroix. Este movimento não era avesso às emoções, pois buscava retratá-las de forma mais precisa. O realismo busca fugi da artificialidade, pinturas de ficção, e sobrenatural.

Honoré Daumier

Honoré-Victorin Daumier, mais conhecido como Honoré Daumier, nasceu no ano de 1808, na cidade de Marselha. Daumier não era um pintor alienado que pintava paisagens tranquilas, bucólicas e pastoris, o artista se envolvia com as questões de sua época politicamente. As obras de Daumier, muitas incluiam caricaturas, além de suas sátiras.

Seu pai era um vidraceiro com aspirações de ser um artista, porém foi seu filho, Honoré Daumier que conseguiu esse feito. Apesar da família de Honoré Daumier o ter colocado para trabalhar com apenas doze anos, Honoré consegue um emprego numa livraria, um lugar frequentado pelos artistas, ele arruma diversos amigos. Para aprender técnicas artísticas, Daumier se matriculou na famosa e renomada Académie Suisse.

Daumier se especializou na arte fazer litografias, onde ele confeccionada diversas caricaturas políticas. Seus primeiros desenhos são impressos e expostos na revista La Silhueta, um semanal ilustrado com diversas imagens. Uma de suas caricaturas é Gargantua:

Gargantua, Daumier

Essa caricatura de Daumier se refere ao Rei Luis Filipe, o penúltimo Rei da França. Gargantua é um gigante de uma história francesa. Ela mostra o Rei como Gargantua, sendo alimentado por tributos pagos pelo povo.

Por causa dessa caricatura, Daumier foi acusado de incitação ao ódio, desprezo pelo governo, e insultar o Rei. Daumier foi condenado à seis meses de prisão mais uma multa de quinhentos francos, o artista acabou sendo libertado, porém continuou a fazer caricaturas sobre o governo, e isso o leva para a prisão mais uma vez, dessa vez ele permaneceu preso. Sua prisão fez com que Daumier se tornasse muito popular, porque era visto como um preso político, uma espécie de mártir da causa revolucionária.

O artista começa a ter problemas financeiros por isso ele acaba se voltando à pintura. No ano de 1849, Daumier decidiu submeter uma pintura ao Salão de Paris, que foi aceita, a pintura se chama O Miller, seu Filho e o Asno:

O Miller, seu Filho e o Asno, Daumier. (Pinterest)

Nessa obra podemos ver o realismo no tema escolhido por Honoré, mulheres camponesas e trabalhadoras, uma caminhando com um cesto de frutas na cabeça. Daumier utiliza cores tendendo para o realismo para dar tons realistas no chão, na construção atrás das mulheres que tem um tom meio marrom para demonstrar aquela sujeira que fica nas parede exteriores com o tempo.

As pinturas de Honoré Daumier chamou a atenção de um artista em especial, Eugène Delacroix. O artista participou de um concurso de alegorias sobre a República, apresentando a pintura abaixo ao concurso:

A República, Daumier.

Sua pintura mostrava a República como uma mãe de dois filhos amamentando essas crianças, parece que Daumier era crítico em relação ao modelo político da república. O artista ficou entre os finalistas, mas deveria entregar uma pintura finalizada e refinada, porém Daumier não cumpriu os prazos do concurso.

Honoré Daumier não se identificava como sendo do movimento realista, ele apenas estava pintando a própria realidade que o cercava. Diferente de outros artistas que pintaram temas como paisagens idealizadas, festas da alta sociedade, jardins de mansões etc.

Uma de suas obras que mostra sua temática voltada às camadas populares se chama A carruagem de terceira classe:

A carruagem de terceira classe, Daumier.

Na pintura acima, Daumier, mostra o povo de uma forma crua, sem idealizações, mostrando os péssimos lugares que eram designados aos sem privilégios, e cenas cotidianas como uma mãe levando seu bebê de colo e amamentando, uma senhora carregando um cesto, e a criança ao lado.

A paleta de cores não é a das mais alegres, o artista utiliza muitos tons terrosos, amarelos, e verdes. A iluminação na imagem lembra um pouco as pinturas barrocas, porém sua forma de pintar é muito distinta.

Existem mais duas versões dessa pintura, mas a mais “finalizada” é a que está em Ottawa, na Galeria Nacional do Canadá:

A carruagem de terceira classe, Daumier.

A versão de Ottawa não difere muito da primeira versão que eu coloquei aqui, o ambiente é mais iluminado e podemos ver mais detalhes, mas a temática continua a mesma, trabalhadores cansados viajando num vagão de trem.

Além das pinturas e caricaturas, o artista também fez esculturas, como a escultura a seguir:

Autorretrato, Daumier.

Honoré Daumier morreu no ano de 1879, na cidade de Valmondois.

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