Devemos obedecer cegamente uma ordem dada por uma autoridade?

Obediência é fazer o que alguém está pedindo a você só porque ela tem autoridade. É uma forma de influencia social.

Em 1939, Adolf Hitler começa a Segunda Guerra Mundial ao invadir a Polônia. Com ela também temos a ascensão do nazismo na Alemanha, que foi responsável por uma das maiores atrocidades cometidas na história da humanidade, o Holocausto.

Quando terminou a Segunda Guerra Mundial muitos se perguntaram como era possível  um soldado fazer o que fez aos judeus, somente por obediência a um militar de hierarquia superior. 

Na época, também, era importante determinar o grau de responsabilidade dos atos cometidos na guerra e até que ponto os soldados nazistas estavam apenas seguindo ordens, para que eles pudessem ser julgados por crimes de guerra.

Os experimentos de Milgram

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Um cientista chamado Stanley Milgram fez diversas experiências pra mostrar até onde vai a nossa obediência a uma autoridade. Somos capazes de matar uma pessoa só porque o chefe pediu e não queremos desobedecer uma ordem dele?

O resultado das experiências mostram que sim, a maioria das pessoas seria capaz de cometer um ato de genocídio porque alguém deu uma ordem para isso.

Como ele chegou nessa conclusão? Ele criou um experimento assim, fez um anúncio num jornal pedindo a estudantes interessados, que participassem de uma experiência sobre punição e aprendizado.

Milgram montou todo um cenário, pra quando o estudante chegasse,  fosse recebido por alguém vestido de jaleco branco, com pose de super cientista. Dois estudantes eram escolhidos para fazer parte do experimento, por meio de um sorteio, cada um deles recebia o papel de professor e outro de “aluno”.

Além disso, o estudante sorteado como professor ajudava o cientista a amarrar o outro participante que foi sorteado como aluno numa cadeira com eletrodos, que davam choques nas mãos. E o cientista pedia pro “professor” ir a uma outra sala, onde tinha uma máquina cheia de botões, com um rótulo dizendo “Gerador de choque”.

Cada botão tinha uma voltagem que ia de 15 a 450, e cada número especificava o tipo de choque de cada volt, ia desde  “choque leve”, “choque moderador”, “Perigo: Choque Severo”, e no maior número tinha uma mensagem escrita em vermelho: “XXX”.

O cientista diz ao participante que cada vez que o “aluno” que estava em outra sala, desse uma resposta errada ele deveria apertar os botões do menor pro maior. Quanto maior o número de erros, maior a voltagem pra aplicar o choque elétrico.

Mas nada era real, o “aluno” que receberia os choques era um colega do pesquisador, e o único que não sabia de nada era o estudante supostamente escolhido como o “professor” que aplicaria os choques.

Porque essa encenação toda? Pra testar o verdadeiro participante, o “professor”, sobre até onde a ordem dada pelo cientista de dar choques cada vez maiores num aluno que errava respostas seria obedecida por ele.

Todos participantes chegaram até 360 volts, e 67%  foi até o choque “XXX” mortal. Pessoas comuns teriam matado uma pessoa eletrocutada por causa da ordem dada pelo cientista.

Então Milgram fez outras variações desse experimento pra medir o que faria aumentar a desobediência. Uma forma de aumentar a desobediência era ter dois cientistas discordando na sala junto om o participante. Mas o que faz mais efeito pra evitar a obediência cega é a noção de responsabilidade sobre as consequências de seus atos que alguns participantes tinham.

Esse tipo de experimento feito por Stanley Milgram na década de 60 são considerados antiéticos atualmente e não podem ser refeitos, mas os cientistas tem outros jeitos de estudar a obediência.

O que fica de lição sobre essa história do experimento de Milgram, é que não devemos obedecer cegamente a uma autoridade e nem sempre obediência é uma coisa boa.

E os soldados nazistas foram responsabilizados pelos crimes que cometeram mesmo que tenham agido por obediência.

Aviso: Imagens fortes

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