Obras de arte vandalizadas

Diversas obras de arte já foram vandalizadas, desde serem cortadas com faca, tinta sendo jogada, até mesmo ácido e acreditem… dinamite! Desde estátuas e pinturas, as obras de arte mais famosas e apreciadas do mundo já sofreram tentativas de destruição. Alguns desses vandalismos tem motivos políticos muitas vezes que não estão conectados a obra que foi vandalizada. Outros tem motivos banais. Conheça algumas obras que já foram vandalizadas:

O Pensador, Rodin

De acordo com o site do museu de arte de Cleveland, a escultura O Pensador de Rodin, um famoso escultor francês, foi doada ao museu em 1917 por Ralph T. King e exposta na parte externa deste museu. No ano de 1970 uma bomba foi colocada na base da estátua e explodida danificando a base e as pernas da estátua. O motivo seria um protesto contra a participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. Porém ninguém nunca foi preso e acusado pelo ataque a obra de Rodin.

O museu de Cleveland optou pela não restauração da estátua por causa da dificuldade e os problemas envolvidos numa restauração de uma escultura feita em bronze.

Estátua com as pernas e a base danificadas.

Vênus em seu espelho, Diogo Velázquez

Diego Velázquez foi um pintor espanhol e se encaixa no movimento artístico do barroco na Espanha. Velázquez se tornou o pintor oficial da coroa espanhola quando um retrato pintado pelo artista agradou o Rei da Espanha, Filipe IV.

O artista fez uma viagem à Itália e voltou para a Espanha inspirado nas obras artísticas italianas. Porém a Espanha do século XVII era dominada pela mentalidade da Igreja Católica, que tinha grande influência sobre as decisões políticas, além ser responsável pela Inquisição Espanhola, que foi muito ativa na Espanha. Portanto, pinturas sobre nus artísticos eram censuradas e repreendidos pela Inquisição. Porém o rei Filipe IV apreciava esse tipo de arte, e Velázquez podia pintar algumas obras com nus artísticos. Mas infelizmente, graças a Inquisição, a única obra de Velázquez que sobreviveu foi a Vênus em seu espelho.

Vênus em seu espelho, Diogo Velázquez.

A Vênus em seu espelho foi adquirida pela Galeria Nacional em Londres. No ano de 1914, uma sufragista, Mary Richardson, atacou a pintura de Velázquez com um cutelo para protestar contra a prisão de outra sufragista, Emmeline Pankhurst.

Obra danificada e o cutelo, em 1914.

Diferente da estátua do Pensador, esta obra de arte de Diogo Velázquez pode ser restaurada.

A Ronda Noturna, Rembrandt

Rembrandt Van Rijn, ou simplesmente Rembrandt, foi um pintor holândes do movimento artístico barroco. Uma das características das obras pintadas pelo artista é a utilização da técnica de claro-escuro (muito usada também por Caravaggio), que deixa suas pinturas com um tom dramático, que é um dos traços da pintura barroca.

A Ronda Noturna foi pintada em 1642, é um quadro grande (363 cm x 437 cm )m que faz parte da Era de Ouro da arte holandesa. A pintura foi encomendada pelo Capitão Frans Banning Cocq, e contém, além de Cocq, mais dezessete pessoas que Rembrandt pintou nesta obra. Um dos estragos feitos nessa pintura foi feita já no século XVIII, no ano de 1715, ela foi transferida para a prefeitura de Amsterdã, e para caber na parede, ela foi cortada, e duas pessoas na pintura foram tiradas desta obra graça a este recorte.

A Ronda Noturna, Rembrandt.

Nós sabemos, hoje em dia, quais partes foram recortadas da original graças a uma cópia feita ainda no século XVII por Gerrit Lundens, um artista que fazia cópias de obras de mestres holandeses.

Cópia da Ronda Noturna por Gerrit Lundens.

A pintura passou a fazer parte do museu holandês Rijksmuseum após 1885, sendo guardada num cofre quando a Segunda Guerra Mundial começou e voltou a ser exposta após o término do conflito quatro anos depois. A pintura tinha uma camada espessa de verniz, que foi colocada como proteção, difícil de ser danificada.

A primeira tentativa de vandalizar a obra ocorreu em 1911 mas ela não foi danificada graças ao verniz. Este verniz foi removido em 1940, pois ele tornava a pintura muito escura e cobria o trabalho de Rembrandt e fazia parecer que o cenário da obra era noturno. Em 1975, um professor desempregado sofrendo de doença mental entrou no museu e cortou a pintura, dessa vez conseguindo provocar danos graves à obra.

Danos causados em 1975 na obra de Rembrandt – [1] Dutch National Archives, Wikicommons.

A pintura passou quatro anos sendo restaurada, porém algumas marcas deste ataque ainda são visíveis. No ano de 2019, um grande trabalho de restauração começou a ser feito em A Ronda Noturna.

A Pequena Sereia, Eriksen

A Pequena Sereia é uma estátua feita pelo artista Edvard Eriksen inspirada no conto de mesmo nome do autor dinamarquês Hans Christian Andersen. Esta estátua é o símbolo de Copenhage. E foi uma encomenda feita no ano de 1909 por Carl Jacobsen.

A Pequena Sereia, Eriksen.

Esta estátua foi vandalizada diversas vezes, teve a cabeça cortada várias vezes, os braços também já foram cortados, despejaram tinta nesta estátua. Mas o ataque mais violento foi em 2003 quando colocaram explosivos na estátua e explodiram, danificando a base e as pernas da escultura.

Estátua danificada em 2003. (Wikipedia)

Diferente da estátua do Pensador esta estátua sempre passa por restaurações após os ataques. Em 2020 após os protestos do Black Lives Matter após a morte de George Floyd, a estátua foi vandalizada novamente com as palavras peixe racista, pois supostamente o conto da pequena sereia teria cunho racista (na verdade a história tem traços machistas).

E finalmente….

Monalisa, Leonardo da Vinci

A pintura mais famosa do mundo (após a estátua da pequena sereia) também é uma das obras mais atacadas. A pintura exposta no Louvre está atrás de um vidro à prova de balas. Mas nem sempre foi assim.

Monalisa, Leonardo da Vinci.

O retrato de Lisa Del Giocondo feita por Leonardo da Vinci já foi roubada, esfaqueada, atiraram pedras, e até mesmo jogaram tinta vermelha no quadro. Em 1956, o boliviano Ugo Ungaza Villegas atirou uma pedra sobre o quadro que era protegido por vidro, mas não era a prova de balas então uma lasca de tinta do cotovelo acabou saindo da pintura graças aos estilhaços.

Hoje em dia, Monalisa é uma das pinturas mais protegidas do mundo, além de estar sob um forte esquema de proteção do próprio museu do Louvre, ela ainda é protegida por um vidro à prova de balas.

Monalisa atrás de um vidro à prova de balas. Imagem: https://www.flickr.com/photos/cayetano/2170060100/ (wikipedia)

Existem diversas explicações sobre os motivos das pessoas vandalizarem a arte, uma delas é sobre o que elas representam e a atenção que atraem para si que as torna alvos de pessoas destrutivas.

Referências e Imagens:

https://en.wikipedia.org/wiki/Vandalism_of_art

* A Monalisa da capa foi pichada por mim digitalmente usando o ArtRage Lite, pois não existem nenhum registro dos ataques à Monalisa.

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