O Iluminismo, os Salões literários, e as Mulheres

Os salões literários são uma particularidade francesa, eles são eventos marcados que reúnem homens e mulheres de letras. Nestes eventos os membros que participavam eram nobres e burgueses que gostavam de arte e cultura. Os salões literários também são chamados de salões de conversação pois se praticava a arte da conversação.

Esta arte era mais do que simplesmente conversar, os participantes tinham que ter tom, elegância, boa aparência e sagacidade. A arte de conversação era uma espécie de literatura de diálogo. Os temas abordados eram a beleza da arte, e também assuntos considerados intelectuais.

A conversa, Antoine Watteau. (Imagem: Wikipedia).

Segundo alguns historiadores franceses, a arte da conversação era algo típico da sociedade francesa, pois os alemães são considerados mais práticos no diálogo intelectual e os ingleses quase se aproximavam dessa arte francesa de conversar.

Moliére lendo durante o salão literário. (Imagem Wikipedia)

A origem dos salões literários vem das reuniões literárias que aconteciam antes do reinado de Luís XIV, o Rei Sol. Estas reuniões de alta sociedade eram consideradas como eventos da sociedade educada. Quase sempre, os encontros eram presididos por mulheres.

Madeleine de Scudéry, a salonniére

A escritora francesa Madeleine de Scudéry, que faz parte do movimento literário francês Préciosité, foi a responsável pelos salões literários mais importantes do século XVII. A obra de sua autoria La Morale du monde ou Conversations, com um enredo em que os personagens que participam ativamente de conversas espirituosas, se tornou o manual de como ser elegante.

Madeleine de Scudery (1607-1701) (oil on canvas) by French School, (17th century) oil on canvas Bibliotheque Municipale, Le Havre, France French, out of copyright

Os encontros promovidos pela Madeleine Scudéry geralmente aconteciam no sábado e seus participantes liam versos de poemas e faziam críticas literárias sobre estes poemas, falavam sobre banalidades com humor. Apesar de ser um evento aparentemente fútil, a anfitriã estava longe de ser assim, suas obras eram best sellers na época, ela foi responsável pelo romance mais longo da literatura francesa Clélie, histoire romaine.

Esta obra de Scudéry começa com um vocabulário rebuscado, falando sobre o amor, fazendo longas análises sobre sentimentos e a sociedade elegante. Porém, o foco no amor romântico vai se desfazendo ao longo da obra e dá lugar a análises morais e psicológicas, fazendo um questionamento sobre a moral do mundo.

Em outra obra Artamène ou le grand Cyrus, a escritora assume uma posição feminista e se mostra contrária ao casamento dizendo que é uma instituição tirânica para as mulheres. Madeleine Scudéry nasceu no ano de 1607, e apresenta posições feministas do nosso século – XXI.

Madeleine Scudéry recebia em seus salões literários pessoas consideradas importantes para a alta sociedade como a Madame de La Fayette e a Madame de Sévigné.

Madame de Sévigné, frequentadora assídua das reuniões promovidas por Madeleine Scudéry. (Imagem: Wikipedia)

Nos salões literários os assuntos também poderiam ser políticos e filosóficos. Diderot, Rousseau e D’Alambert, filósofos do iluminismo, participavam dessas reuniões chamadas de Salões Literários. Apesar de ser uma reunião da nobreza, muitos dos autores e filósofos traziam novas ideias para essa alta sociedade.

Vale a pena citar que além de Madeleine Scudéry, outra Salonniére importante foi a Madame du Deffand. Amiga pessoal do filósofo Voltaire, ela presidia essas reuniões com temas encorajados pelo filósofo. Suas reuniões também contavam com os chamados enciclopedistas como o D’Alambert.

Madame du Deffand. (Imagem: Wikipedia)

Cafés literários e Salões Literários

Na França haviam os cafés literários que também eram pontos de encontro de filósofos e intelectuais. A diferença entre esses cafés e os salões literários, era que o primeiro não precisava de convite para participar.

Nos cafés literários, filósofos como Volteire, Rousseau e Diderot eram frequentadores assíduos desses lugares. O café Procope se tornou um dos locais mais frequentados na época da Revolução Francesa, sendo considerado o centro ativo das ideias revolucionárias. Os frequentadores desse café eram em sua grande maioria homens. Muitos creditam o surgimento da ideia de fazer enciclopédias à este café Procope.

Robespierre, Danton e Marat, líderes revolucionários e os jacobinos utilizaram o café Procope como a central das ideias sobre o andamento da Revolução Francesa.

Por serem reuniões abertas, os cafés literários se tornam muito populares e famosos. Por isso esses lugares são citados quando se fala em iluminismo, a disseminação dessas ideias e a Revolução Francesa.

Mas o embrião desses lugares, que tornou os franceses em amantes dessas reuniões filosóficas, artísticas e políticas surgiu nos Salões Literários.

Referências:

https://fr.wikipedia.org/wiki/Femmes_et_salons_littéraires

Imagens: Wikipedia

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