Robert Delaunay, cubismo órfico e neo-impressionismo

Robert-Victor-Felix Delaunay nasceu no ano de 1885 em Paris, na França. O artista ajudou sua esposa, Sonia Delaunay, a fundar o movimento cubista conhecido como cubismo órfico, ou Orfismo. Além disso, Robert Dalaunay também participou da colônia de artistas pós-impressionistas chamada de Grupo de Pont-Aven, que pintavam paisagens da Bretanha ao ar livre, indo contra os princípios academicistas pregados pelas instituições artísticas francesas como a prestigiada Escola de Belas Artes de Paris.

O artista nasceu numa família que apreciava arte e cultura, por isso, desde cedo o pequeno Robert foi levado a exposições como a Exposição Universal de Paris, onde conheceu novidades científicas e tecnológicas como a invenção da eletrecidade. O artista foi colocado em algum ateliê para aprender técnicas artísticas de pintura. Seu tio também era um artista, e guiou Robert em seus ensinos sobre arte.

Delaunay foi para a Bretanha, lugar onde teve contato com os neo-impressionistas de Pont-Aven. Uma das teorias pós-impressionistas que eram populares entre artistas impressionistas e pós-impressionistas era as teorias de cores divisionista e pontilhista criada por Georges Seurat e Paul Signac. Uma das obras de Robert Delaunay feita com os princípios dessas duas teorias se chama Natureza morta com um vaso de flores.

Natureza morta com um vaso de flores, Robert Delaunay. (Wikimedia Commons/Domínio Público)

Em Natureza morta com um vaso de flores temos uma pintura neo-impressionista. Esses pequenos ladrilhos que vemos nessa obra é o resultado de um dos elementos da arte neo-impressionista, a teoria de cores criada por Georges Seurat, chamada de divisionismo. Essa teoria consiste em separar as cores em pequenos pontos ou manchas que interagem opticamente. Resumidamente, o que Seurat estava tentando criar era algo que tem nas TVs a cores, o sistema de luz RGB (red, green, blue), mas com tinta, não com luz.

O único artista que conseguiu se aproximar de uma teoria de cores que resultou numa pintura colorida nítida foi Robert Vonnoh. Hoje em dia existem artistas que conseguem reproduzir uma figura ultrarrealista com qualquer material disponível. Mas temos que lembrar que quanto mais a gente volta no tempo, menos democrática e acessível a arte era.

O artista começou a fazer cada vez mais pinturas abstratas como podemos ver em Carrossel de Porcos.

Carrossel de Porcos, Robert Delaunay. (Wikimedia Commons/Domínio Público)

Em Carrossel de Porcos temos uma pintura indo pelo caminho da abstração, apesar de ainda conseguirmos ver figuras como dois homens, um de frente pro outro, em cima do carrossel, e uma mulher de frente para um homem, numa tela que parece uma mistura de elementos dispersos mas que ainda podemos distinguir figuras e ver uma certa ordem. Delaunay é muito influenciado pelos artistas a sua volta, por isso seu estilo artístico muda conforme as companhias que tem a sua volta.

Também é nesse período, ano de 1906, de maior contato com neo-impressionistas, que Robert Delaunay faz a maioria de seus autorretratos, que são muitos, um dos mais famosos é chamado de Homem com Tulipa.

Homem com Tulipa, Robert Delaunay. (Wikimedia Commons/Domínio Público)

Na pintura Homem com Tulipa temos um autorretrato neo-impressionista, o artista utiliza as teorias de cores de Georges Seurat, o divisionismo, que produz esse efeito meio ladrilhado que vemos nessa pintura. Dizem que Delaunay havia lido Dom Quixote e por isso havia criado essa versão mais clichê e caricata de si mesmo, como um homem cortês e super educado. Essa pintura de Robert Delaunay se tornou uma das pinturas mais famosas do artista, e demonstram uma certa vaidade por parte dele.

Quando Robert Delaunay conheceu Sonia, suas perspectivas artísticas mudaram, foi através de Sonia que sua arte se torna mais interessante, pois foi sua nova esposa que cria uma das vertentes famosas do cubismo o orfismo. Uma de suas pinturas desse movimento artístico inventado por sua mulher se chama Hommage a Blériot.

Hommage a Blériot, Robert Delaunay. (Wikimedia Commons/Domínio Público)

Hommage a Blériot é uma pintura do cubismo órfico que reúne a chamada sinestesia, quando sons viram imagens, uma das características do orfismo. Porém essa pintura é um pouco diferente das outras que viriam a ser muito parecidas com as de Sonia Delaunay, pois quando Robert era criança, seus pais o levaram para a Exposição Universal de Paris em que a Torre Eiffel foi exposta, e nessa pintura aparece no canto direito a figura da Torre Eiffell.

Suas experiências quando ainda era uma criança pequena marcaram o artista para a vida toda, como podemos ver em sua pintura feita no ano de 1926 chamada de Torre Eiffel.

Torre Eiffel, Robert Delaunay. (Wikimedia Commons/Domínio Público)

Na pintura acima, Torre Eiffel vemos uma pintura feita por Robert Delaunay com uma estética modernista, pós-impressionista. O casal Delaunay havia deixado o país e não puderam retornar a França devido à eclosão da Primeira Guerra Mundial, no entanto, após o fim do conflito, os dois artistas se mudaram para Paris no ano de 1921, foi nesse contexto que Robert pintou a Torre Eiffel.

Robert Delaunay morreu no ano de 1941.

Imagens e Referências

https://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Delaunay

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