William Blake, um artista singular

William Blake nasceu no ano de 1757 em Londres na Inglaterra. Blake se encaixa entre o período artístico pré-romântico e romântico. Além de ser conhecido por sua poesia, o artista também fez diversas pinturas e principalmente gravuras. Blake escreveu obras místicas e proféticas, pelo qual é muito reconhecido. Alguns artistas acham que William Blake não pode ser colocado em nenhum tipo de classificação, pois ele é muito singular em suas obras literárias, de gravuras e pinturas.

Desde a infância Wiliam Blake mostrou o seu talento para poesias e gravuras, quando o artista tinha apenas dez anos de idade, seu pai o matriculou numa escola de desenho. Blake estudou técnicas de fazer gravuras com James Basire, mais tarde, o artista colocaria o nome de Basire em uma lista de adversários artísticos. Blake também entrou na Academia Real de Artes, onde estudou com o pintor retratista com Joshua Reynolds. Uma das obras de Reynolds se chama A Idade da Inocência.

A idade da inocência, Joshua Reynolds.

Reynolds era um admirador de Peter Paul Rubens e achava que as abstrações e generalizações eram uma das grandes coisas que os homens faziam, porém, William Blake discordava desta posição de Joshua Reynolds e disse que preferia a particularização das coisas, e que generalizar era ser um idiota. Por isso, Blake se voltou as artes renascentistas de Rafael e Michelangelo, que preferiu em vez do barroco.

Blake conheceu Catharine Boucher, e como outros artistas que se beneficiaram de um casamento, o gravurista não foi uma exceção, pois Catherine terminaria por ajudar Blake no negócio das gravuras. O artista era avesso a técnica de pintura à óleo, preferindo muitas vezes a pintura em aquarela, assim como ele fez numa de suas gravuras famosas, Oberon, Titânia e Puck com as fadas dançando.

Oberon, Titânia e Puck com as fadas dançando, William Blake.

O artista possuía algumas posições políticas polêmicas, era a favor das revoluções americana a e francesa que estavam acontecendo na época e defendeu a Revolução Francesa numa discussão com um soldado e quase foi preso por causa disto.

Uma de suas gravuras conhecidas e estudadas que fazem parte da coleção do Museu de Arte do Arizona é a Europa Apoiada pela África e América, feita para ilustrar o livro A narrativa de uma expedição de cinco anos contra os negros revoltados do Suriname escrita por um amigo de Blake, John Gabriel Stedman.

Europa Apoiada pela África e América, William Blake.

Stedman fez parte do exército holandês e e foi para o Suriname ajudar as tropas locais contra os escravos fugidos. O autor presenciou de perto diversas atrocidades cometidas contra os escravos e outros aspectos do colonialismo. Por isso, o livro de Stedman se tornou uma referência para o movimento abolicionista que estava surgindo. Outra gravura feita por William Blake que ilustram este livro e as práticas desumanas e cruéis contra os escravos negros é a gravura Um negro pendurado vivo pelas costelas em uma forca.

Um negro pendurado vivo pelas costelas em uma forca, William Blake.

Uma outra série de ilustrações importantes de William Blake é a que ele faz sobre o livro bíblico do Apocalipse, estas gravuras são conhecidas pelo nome de Pinturas do Grande Dragão Vermelho. Uma das gravuras feitas por Blake sobre o assunto se chama O Grande Dragão Vermelho e a Mulher Vestida de Sol.

O Grande Dragão Vermelho e a Mulher Vestida de Sol, William Blake.

Esta gravura faz parte hoje em dia da Galeria Nacional de Arte, em Washington DC.

William Blake fez diversos trabalhos ilustrando livros, este tipo de obra é chamada de livro iluminado, a prática de ilustrar livros remonta da Idade Média, desde a época de Carlos Magno e o Império Carolíngio, os escritos ilustrados eram conhecidos pelo nome de iluminuras. Uma das gravuras de Blake que lembram um pouco as iluminuras é a Ecoando Verde, que faz parte do livro Sons dos Inocentes (Songs of Innocence).

Ecoando Verde, William Blake.

Além de ilustrar os livros, William Blake escrevia poemas e fazia ilustrações, um dos trabalhos mais ousados do artista é Jerusalém, A Emanação do Gigante Albion, um poema profético em que o poeta escreve sobre visões proféticas da destruição do mundo ocidental, especialmente a Grã-Bretanha.

Jerusalém, A Emanação do Gigante Albion, William Blake.

Este poema de William Blake possuí uma mitologia e simbolismo próprios, e mostra uma série de acontecimentos que terminam com a redenção da humanidade, ele conta uma história meio apocalíptica onde o mundo é dominado por guerras mas no final a humanidade encontra o perdão. Alguns chamam esta obra ambiciosa de Blake de teatro visionário.

Milton: um poema em dois livros, também é um poema épico escrito por William Blake e também ilustrado por ele. O gravurista também usou aquarela para compor as ilustrações.

Ilustração de Milton, por William Blake.

Blake deu um toque grego e romano em seu poema épico. Esta obra também termina em união e redenção.

Um dos últimos trabalhos de William Blake é a ilustração do livro o Inferno de Dante, um projeto ambicioso que o artista estava trabalhando com grande afinco.

Canto V, Inferno de Dante, William Blake.

Infelizmente o artista nunca concluiu este trabalho e acabou morrendo em 1827. As obras de William Blake passam um tempo despercebidas até serem redescobertas pelos artistas modernistas do século XIX.

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