Mafalda, a eterna personagem de Quino

No ano de 2020, o cartunista Joaquín Salvador Lavado Tejón, mais conhecido pelo nome de Quino, morreu e deixou a eterna personagem Mafalda, criada por ele no ano de 1964. Mafalda é uma menina de seis anos que representa a classe média argentina. A personagem se tornou popular na América Latina pois é uma sátira direcionada a política e sociedade latina, pois em países como Brasil e Argentina, houve uma época de ditadura militar de direita, que era supostamente a favor do golpe militar para salvar os respectivos países do perigo do comunismo.

Mafalda, o retrato da classe média latino americana

Pois é, existiu um momento na história da Argentina e também na história do Brasil que algumas pessoas pensavam que os militares salvariam a população do comunismo. Mesmo após o fim do regime militar em ambos os países, que trouxe muitos mortos políticos, principalmente na Argentina, e crimes contra a humanidade como a retirada de crianças de mães “comunistas” para serem dadas a adoção para os militares e campos de concentração, instituições que torturavam pessoas.

Mesmo após o conhecimento de tudo isso que aconteceu sob o domínio politico de militares conservadores, ainda existem muitos saudosistas que acham, apesar da crise grande crise econômica provocada por esses militares que resultou em hiperinflação no Brasil, a humanitária, e o retrocesso causado por esse período, ainda existem pessoas que acham que os militares podem salvar tudo.

Porém a realidade mostra que alguns não conseguem nem gerenciar uma campanha de vacinação contra a COVID-19 no Brasil, um país que tem toda uma estrutura de sistema público de saúde que distribuiria essas vacinas, que se fossem adquiridas com antecedência, estaríamos pelo menos com uma grande parcela vacinada. E a personagem da Mafalda aparecia nisso, na ineficiência do governo e crendices da classe média latino americana.

“Esta é a borracha de apagar ideologias”, com Mafalda apontando para um cassetete da polícia, como forma de se referir a repressão do Estado a certas ideologias consideradas “comunistas”.

Os argentinos também sofrem desse tipo de retrocesso causado pelas épocas de ditadura militar e do populismo, onde figuras políticas “salvadoras” que agradavam a população mais pobre(a maioria nos países latinos americanos) e em troca faziam conchavos que na verdade dilapidavam o país.

Apesar de existir uma parcela da classe média que gostaria que existisse uma figura, ou figuras politicas que resolvessem tudo, existe outra parcela que sabe que quando estamos falando de política e desenvolvimento as coisas são mais complexas e não podem ser resolvidas por uma só pessoa, principalmente se essa pessoa se mostra desprovida de certas faculdades intelectuais, como acontece atualmente na política no Brasil.

“Cuidado! Irresponsáveis trabalhando.”

A Mafalda foi publicada como história em quadrinhos na revista argentina Primeira Plana no ano de 1964. Originalmente a personagem Mafalda foi criada devido a um encomenda publicitária feita a Quino. Porém a Mafalda se tornou uma série de história em quadrinhos.

Uma das características da personagem é seu pessimismo e sua inteligência acima da média que ela usa para questionar os acontecimentos cotidianos, tanto na política quanto na sociedade. Devido a certa semelhança com a história política entre os países Brasil e Argentina, que são supostamente rivais, mas que tem mais coisas em comum do que diferenças

Além da personagem Mafalda existe outros personagens, como seus pais, Felipe (vizinho de Mafalda), Manolito que representa o estereótipo argentino do galego, sempre preocupado com questões como dólares, negócios etc. Também existe uma personagem chamada Liberdad, que tem um tamanho pequeno em referência a liberdade ser algo pequeno muitas vezes.

“Oi! Como você é pequenina! Qual é seu nome? – Liberdade.”

Enquanto a América do Norte tem a história em quadrinhos do Charlie Brown, a América Latina (principalmente os países Argentina, Brasil e Chile) possui a Mafalda.

” (professora) Vamos ver, Manolito, uma palavra que comece com ‘P’, (Mafalda) Chi…vai ver que ele vai falar aquele palavrão, (Manolito) ‘Política’, (Mafalda)E falou mesmo!”.

Peanuts, a história que contém o personagem do Charlie Brown é apontado como sendo uma grande influência para a confecção das histórias da Mafalda. Por alguns fizeram esse paralelo regional entre estes dois personagens. Quino teria estudado a história em quadrinhos Peanuts, feita pelo escritor e cartunista Charles M. Schulz, como uma inspiração para a criação da personagem Mafalda.

Peanuts, história em quadrinhos de Charles Schulz.

O primeiro editor dessa história em quadrinhos da Mafalda foi o jornalista Julián Delgado, que acabou sendo torturado e morto pela ditadura argentina. A partir de 1973, Quino se dedica a criar histórias que falem sobre os direitos humanos. No ano de 1976, o cartunista reproduziu a Mafalda na UNICEF para ilustrar a convenção dos direitos das crianças.*

A Mafalda foi traduzida para mais de vinte idiomas e foi feito dez livros contendo um compilado das histórias da Mafalda. Estes livros foram publicados a partir do ano de 1968 até 1974 na Argentinas, em outros países esses livros foram lançados em outros anos, como na Espanha em que foi publicada como Toda Mafalda e são numerados de 0 a 10.

Em 30 de setembro de 2020 Quino morre deixando como legado sua eterna personagem, Mafalda.

Referências:

*https://en.wikipedia.org/wiki/Mafalda

4 comentários em “Mafalda, a eterna personagem de Quino

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