A violência policial e segregação racial nos EUA

Nesse ano de 2020 o mundo ficou comovido com a imagem de George Floyd sendo sufocado por um policial que se ajoelhou sobre seu pescoço. Porém esse tipo de violência policial contra negros não é novidade.

Historicamente, os Estados Unidos foi um país segregacionista, apesar dos boicotes e do repúdio da opinião pública americana contra o Apartheid na África do Sul, os negros não tem o mesmo direito que os brancos nesse país, mesmo após a revogação das leis segregacionistas.

As Jim Crow Laws, leis de segregação racial, foram leis que foram criadas alguns anos depois da abolição da escravidão nos estados do Sul, como uma reação da sociedade conservadora da época contra os direitos políticos dos escravos negros recém libertos.

Haviam espaços para pessoas brancas e de cor que eram a população afrodescendente e os nativos americanos. As escolas eram separadas, locais públicos, lugares no ônibus. Foi nesse contexto que o ato de desobediência de Rosa Parks (!955), ao não ceder seu lugar no ônibus a um branco, deu uma guinada ao movimento de direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Personalidades como Martin Luther King surgem nesse momento na luta para o fim da segregação racial.

Segregação de espaços pela cor de pele. “Colored” signifca pessoas de cor, ou seja, pessoas de pele escura.

As leis de segregação racial foram abolidas em 1964, mas a segregação histórica deixou marcas profundas na sociedade norte americana.

A violência policial é a parte mais que mais escancara o racismo que existe nos Estados Unidos. Não é de hoje que sai na mídia notícias sobre algum tipo de violência cometida por policiais contra os afro-americanos. A Hashtag “Blacklivesmatter” que reapareceu em 2020, na verdade surgiu em 2013 como uma reação a absolvição do segurança George Zimmerman no assassinato do jovem Trayvon Martin.

Séries e documentários sobre a diferença no tratamento entre brancos e negros.

Você já deve ter visto algum documentário sobre investigação criminal feita pela polícia americana. Nos Estados Unidos a polícia pode utilizar vários recursos quando se trata de uma investigação de assassinato. Alguns detetives trabalham horas e horas na resolução de um caso.

Para se ter uma ideia sobre até onde a polícia vai para solucionar um caso assista o episódio de “Pequenas Cidades em pânico: Mapa da Morte” do canal de tv por assinatura Discovery ID. Em resumo uma mulher branca de classe média alta desapareceu numa pequena cidade americana e através de várias investigações a polícia chegou a conclusão de que o marido tinha assassinado e escondido o corpo mas não podiam provar isso num tribunal e o marido não queria confessar e nem dizer onde o corpo estava.

Então eles vigiaram o marido 24 horas por dia e o suspeito conseguiu uma ordem de restrição contra a polícia. No fim o homem se cansou e acabou cometendo suicídio e deixou um bilhete com a localização do corpo.

No outro extremo temos os assassinatos dos rappers Tupac e The Notorious B.I.G(também conhecido como Biggie Smalls), ocorridos em 1996 e 1997 respectivamente, que nunca foram selecionados. Houve o trabalho de investigação dos policiais nos dois casos e um dos detetives ficou tão obcecado que acabou tendo que ser afastado do caso do assassinato do Biggie. Porém os investigadores ficaram limitados pela quantidade de recursos fornecidos pelo departamento de polícia.

The Notorious B.I.G e Tupac.

Somente após o processo da mãe do The Notorius B.I.G (Christopher Wallace) contra o departamento de polícia de Los Angeles foi montada uma força tarefa com recursos o suficiente para investigar o caso de Christopher Wallace (Tupac foi morto em Las Vegas).

Havia a suspeita de que policiais corruptos estivessem envolvidos na morte do rapper Biggie, mas quando essa suspeita foi afastada essa força tarefa foi encerrada. A série Unsolved na Netflix mostra como foi todo esse processo.

Série Unsolved.

Mas essa distinção entre negros e brancos para a polícia americana não se limita somente a diferença de recursos para solucionar casos de assassinato.

Existe outra série na Netflix, Olhos que condenam (When They See Us) que retrata uma das maiores injustiças cometidas nos anos 90. Cinco garotos negros são forçados a confessar um crime que não cometeram. Nessa série também vemos o racismo nas falas e ações de Donald Trump (Presidente dos EUA 2017-2021).

No Brasil também existe essa diferença no trato entre brancos e negros pela polícia, já vimos imagem da violência policial contra os negros moradores da periferia e comunidades. Porém o racismo no nosso país é velado e como somos um país com uma enorme desigualdade social a condição financeira também é um fator de segregação. Como vimos no caso da blogueira branca estuprada e o estuprador milionário branco foi inocentado supostamente por falta de provas.

Esse racismo velado no Brasil precisa de outro post, pois ele tem muitas nuances, farei essa análise no futuro.

O Racismo é um problema que infelizmente persiste nos dias de hoje e a sociedade precisa reconhecer como um assunto urgente a ser resolvido. E a polícia precisa ser treinada para evitar esse tipo de distinção entre cor de pele.

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