Isolamento Social ou Economia? A escolha que não existe.

Para responder esse Paradoxo, sim Paradoxo… Vamos voltar no tempo…

Estamos em 1347, na região da Sicília, uma localidade portuária essencial para a economia da Europa e acaba de chegar num navio mercante pessoas doentes e infectadas com a Peste Negra e os ratos infestados com pulgas.

A Peste Negra pode ser transmitida de dois jeitos, o primeiro é a picada de pulga contaminada com a bactéria que causa a doeça, e o segundo acontece quando a Peste vai para o sangue, e do sangue para os pulmões e então infectado transmite a doença num mecanismo parecido com a gripe, coronavirus, resfriados etc.

Devido a forma de transmissão dessa doença o isolamento social reduz o espalhamento da epidemia.

Na Idade Média a medicina e a ciência não eram tão evoluídos como hoje, havia muita superstição a respeito das doenças e o conceito de isolamento social para conter uma doença ainda não existia, na verdade seria criado nessa época. 

Sem o isolamento e medidas de prevenção a doença se espalhou bem rápido. Com as pessoas ficando doentes e muitas morrendo não havia quem cuidasse dos rebanhos ou das lavouras. A economia colapsou e era o início do fim do feudalismo.

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Pessoas ocupadas carregando caixões.

O sistema feudal estava enfrentando uma crise devido a diversos fatores como as guerras, o crescimento populacional, muito antes da chegada da peste e quando esta chegou, sem o preparo necessário para enfrentar essa doença pandemia, o mundo colapsou. Não tinha como a economia se sustentar com as pessoas debilitadas e que consequentemente não conseguiam trabalhar.

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Além disso, as pessoas queriam ficar longe dos doentes, então a cidade de Veneza acabou proibindo navios de atracarem em seus portos, eles deveriam ficar 30 dias isolados, e esse prazo foi prorrogado para 40 dias, dando origem ao termo quarentena. Medidas de isolamento social e/ou afastamento dos doentes se tornam consequência quando uma epidemia devastadora aparece, pois as pessoas não querem se contaminar.

Não existe um jeito das pessoas não imunizadas não se infectarem se conviverem com uma doença em que a transmissão acontece por gotículas de saliva dos infectados no ar. Na gripe espanhola escolheram ignorar a epidemia e mesmo assim as pessoas pararam de trabalhar porque ficaram doentes ou morreram.

A solução para diminuir o contágio uma pandemia é o isolamento social, pelo menos até quando surgir uma vacina contra a doença. Se todos pegarem a doença ao mesmo tempo, como aconteceu com a população europeia na idade média ou quando a gripe espanhola se espalhou pelo mundo em 1918, uma parte das pessoas vão morrer e o resto vai ficar debilitado pela doença, é inevitável.

As pessoas que acham que é possível trabalhar e conviver com uma epidemia mas ignoram o fato de que quando as pessoas negam um problema, ele sai do controle e não tem economia que resista ao caos.

Nos dois casos, com isolamento ou sem isolamento, a economia vai sofrer. Mas sem a quarentena a economia sofre um impacto maior e demora mais para se recuperar. E como disse um artigo do New York Times: É a pandemia que afeta a economia e não o que fazemos para contê-la. 

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